Outros tempos, outras caras

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1.- Os estados-maiores dos partidos políticos já se preparam para eleições. Desta vez para autárquicas. Preparam-se com programas, mas, sobretudo, com nomes. Os programas passam com a realização das eleições, mas os nomes não. Esses ficam. A Maia não foge à regra. Começam a posicionar-se os nomes, talvez a partir da maestria do todo nacional. As eleições autárquicas são diferentes, todos, ou quase, conhecem as pessoas e aquilo que têm realizado para o bem comum. A verdade é que, nomeadamente nas freguesias, existem candidatos bons em todos os partidos políticos ou listas de cidadania. Há alguns anos que não me candidato a nada, agora farei o mesmo. Foram já bastantes anos como membro de assembleias, na oposição. O que é um bom lugar – diga-se. Da última vez que iria pertencer a uma lista, os coronéis não deixaram. Penso que bem! Se as eleições autárquicas têm este conhecimento pessoal dos candidatos, também o caciquismo consegue adestrar as pessoas. É como se não existisse democracia, por isto ou por aquilo os lugares são apetecíveis.

2.- Na Maia existe uma evidência de posicionamentos. Ou é aquele vereador que aparece em todo o lado, mesmo nos jornais, ou são os partidos nas lutas intestinas ou, ainda, alguns notáveis formando listas independentes. Verdade será que “independentes de quê”, às vezes em desacordo com partidos, mas vá, que não vá, aparecem e dão colorido aos atos eleitorais. Os votantes que escolham. Muitos de nós faríamos bem era deixar que aqueles que nasceram com a revolução, ou quiçá depois, tomassem em suas mãos este entusiasmo de formarem listas e darem vozes com outra tonalidade. Na Maia existem partidos para todos, são o PSD, CDS, PS, BE, PCP, PAN e outros, somando ainda os “independentes”. Mas o curioso é que são sempre os mesmos nomes. As maiatas e os maiatos ainda vão sentir que não há mais ninguém, quando isso não é verdade.

3.- Já tenho referido em anteriores laudes a existência de um conjunto de nomes, que não constam dos nomes do poder ou da oposição. No entanto parece não ser, ainda, nestas eleições que a renovação se fará. Outros nomes e outras caras são urgentes. Para terem outros estilos. O monarquismo de famílias são feudos que não conjugam com a democracia. Mas, também, a sucessão sucessiva das famílias políticas, daqueles que possuem o poder de nomear este e aquele. Seria útil que o CDS concorresse sozinho, até para ver quanto vale. Seria útil que o PSD concorresse com novas caras e não com a sucessão do poder. Seria útil que o PS se libertasse de poderes imperiais e fosse, até, coligado com “partidos de governação”. Seria útil que as maiatas e os maiatos sem partido também lá fossem. Estamos noutros tempos, gostaria de ver novas caras. Novas caras, com olhos coloridos!

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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