Qualidade de vida na Maia cresceu mais 2800 metros

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Foi recentemente inaugurado e de imediato colocado ao serviço do bem comum, o eco caminho que faz um aproveitamento para fruição pública, do troço de linha férrea desactivada, entre a via periférica que vai da rua do Souto, atravessando a via norte, até à avenida Santos Leite, e as imediações do “Leroy Merlin”, na zona industrial da Maia.

Neste percurso pedonal, também acessível a bicicletas, é possível caminhar ou pedalar ao longo de 2,8 Km, sobre um piso construído com um material macio, e desfrutar de uma envolvente, com cenários por vezes muito agradáveis à vista.

Um alerta cívico

Desde o último fim-de-semana, acompanhado da minha família, iniciei um programa diário de caminhadas naquele percurso, precisamente com a finalidade de melhorar a minha qualidade de vida, podendo deste modo, com conhecimento de causa e a necessária propriedade, emitir uma opinião fundada na experiência pessoal.

ecocaminho
Imagem: Câmara Municipal da Maia

Creio que é natural e justo que deixe o meu aplauso à Câmara Municipal da Maia, pela disponibilização desta infraestrutura posta ao serviço da qualidade de vida dos maiatos.

O mesmo não posso fazer, quanto ao desrespeito de alguns concidadãos, que começam a utilizar com muita frequência, aquele magnífico eco-caminho, para passear os seus cães, sem os cuidados cívicos adequados.

A pouco-e-pouco, o piso cuja qualidade e aspecto visual é muito agradável, vai começando a ficar pulverizado de dejectos dos animais de estimação que ali são levados a passear.

Tenho a melhor compreensão para o problema de quem tem um cão num apartamento, e nutrindo pelo seu fiel amigo, grande estima, respeito e amizade, trata de cuidar dignamente do seu animal. Mas isto não me parece incompatível, com o respeito que é preciso também ter, pelos outros, quer dizer, pelas pessoas, que nutrindo precisamente a mesma amizade pelos animais, é em nome da dignidade que lhes reconhecem, que optam por não os ter, ou não os levar, para lugares onde não conseguem, ou não querem, controlar as consequências evidentes das suas necessidades fisiológicas.

Uma questão de mentalidade

Há uns tempos atrás, quando caminhava no passeio de uma zona residencial, acompanhado de uma das minhas filhas, constatamos que uma senhora que levava o seu cãozinho a passear, ia ignorando as naturais posturas fisiológicas do animal. Uma vez á porta de sua casa, após uma breve conversa com uma vizinha, quando se preparava para abrir o portão, deu-se conta que havia ali mesmo ao seu pé, um “presente” já transformado em “obra de arte” muito consistente, porventura concebida há largos dias, por um qualquer canídeo. Indignada, a verberar contra os donos do autor de tal serviço, foi buscar uma vassoura e uma mangueira, afastando com a força da água e as investidas da vassoura, o excremento para longe da sua porta.

Esclarecidos, ainda ficamos tentados a chamar a senhora á razão, mas diante a força do jacto de água, achamos por bem desistir de tal atrevimento, receando que a insensatez pudesse fazer das suas. Afinal, quem não quer para si, aquilo que deixa aos outros, põe-se a jeito, para um juízo cívico pouco abonatório, quanto a essa sua forma de ser tão generosa…

Não sei bem como se poderá resolver esta questão, considerando que se trata de um problema de educação e cultura cívica, que implica uma das mudanças mais difíceis de operar, a mudança das mentalidades.

E essa mudança, nenhum governo, nenhuma autarquia, nenhuma autoridade, nenhuma Lei, nenhum regulamento pode fazer acontecer. Essa mudança só Poderá começar a construir-se

No berço e na escola, pela via da educação para a cidadania.

Uma educação que tem de inculcar o valor do bem-comum, como um bem colectivo que não é nosso, mas de toda a comunidade, e como tal, não nos é dado dispor dele, como se fossemos seus únicos e exclusivos proprietários.

 

Victor Dias

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