Que pena Marques Mendes, que pena!…

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Nutro por Luís Marques Mendes uma certa consideração, principalmente pela coragem como afrontou alguns problemas que comprometiam a credibilidade do PSD, no tempo em que foi seu líder.

Marques Mendes foi corajoso, determinado e não cedeu às inúmeras pressões de que foi alvo, oriundas de vários quadrantes, mesmo de alguns, porventura até, aparentemente insuspeitos.

Opôs-se tenazmente às recandidaturas de Isaltino Morais, em Oeiras, e à de Valentim Loureiro, em Gondomar, sabendo que corria o risco de que o PSD fosse, como foi, derrotado nas autárquicas, nos respetivos concelhos.

Creio inclusive que a sua coragem e seriedade política acabou por ditar o seu afastamento da liderança, o que a meu ver era inevitável, diante a sua ousadia e fraturantes roturas que provocou, ao demonstrar que os fins nem sempre justificam os meios.

Quando mais tarde, o fui encontrando pelas noites da SIC, na sua nova pele de analista e comentador político, confesso que me agradou.

Não raras vezes, vou discordando numa ou noutra matéria, das suas opiniões, mas de modo geral, até concordo em muitas coisas que afirma, e acho que a forma como o faz, é simples, objetiva e pedagógica.

Que pena

No final do seu último comentário, no domingo passado, tudo correu muito bem e ele foi em quase todas as suas opiniões, sensato e assertivo, até à última nota, em que pediu ao seu interlocutor uns breves segundos, para saudar a independência de Angola e felicitar a entrevista de José Eduardo dos Santos.

Saudar a independência de um país, e principalmente Angola, parece-me inteiramente correto, e sobre isso, nada a dizer.

marques-mendes

Já o modo como “passou a mão pelo pêlo” ao Presidente José Eduardo dos Santos, foi a meu ver, um exagero totalmente dispensável e triste.

Triste para mim que via em Marques Mendes, esse homem coerente, corajoso e capaz de enfrentar os problemas e arrostar com o desgaste que o combate político por causas e por princípios, sempre acarreta para quem tem a coragem de o travar.

Não acredito que Luís Marques Mendes não leia jornais, não veja televisões e ouça rádios. E se vê, ouve e lê, não pode ignorar que em Angola não há Liberdade, que a Democracia é apenas uma nuvem que de vez em quando passa por cima do regime político que vigora naquele país.

Marques Mendes não pode ignorar que há pessoas presas por delitos de opinião e por razões de resistência cívica ao regime.

Compreendo bem que Marques Mendes se preocupe com os nossos compatriotas que atualmente vivem e trabalham em Angola, e por isso mesmo, aceitaria sem nenhuma dificuldade, que sobre esta matéria em concreto, tivesse sido mais contido, quer dizer, não se referisse à magnanimidade do Presidente dos Santos, ou se assim preferisse, tivesse passado ao lado do assunto, para não ter de “perder” a face. Creio que teria salvado o seu comentário, se ao menos tivesse deixado uma nota a respeito dos ativistas que estão presos e a ser julgados, apenas porque cometeram o “crime” de se opor ao regime político, reafirmando as suas convicções éticas, morais e políticas, nas quais continuo a acreditar.

Citando um humorista português – “não havia necessidade…”.

Que pena!…

Victor Dias