Semana: Acabar com a fome

0
342
- Publicidade -

1.- Acabar com a pobreza e a fome, “em todas as suas formas e lugares”, é o primeiro objetivo, dos “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, aprovados pela ONU, até 2030. A “Sustentabilidade” passa por aqui. Quando se refere às “formas” e “lugares”, pode parecer uma infinidade de sustentações e levar as consequências até aos limites da não-sabedoria, do que estamos a falar. No entanto, as sete medidas que contemplam este objetivo referem-no implicitamente. A “pobreza” adquire especial significado quando falamos nas suas “mais variadas formas”, porque “o homem não vive só de pão, mas não vive sem pão” (Paul Éluard); posto isto, refiro-me em especial aos “estômagos- vazios”, mas também às “mentes-vazias”, sem a substância cultural que dinamiza o “todo” holístico dos seres vivos. “Em todos os lugares”, o que significa se pensarmos para a “humanidade”, teremos que ser eficazes na “localidade”, no “situado”; se assim não for, seremos seres não-situados, o que convenhamos sustenta uma “não-inscrição”, e, portanto, anulação de nós próprios. A região, o município, a freguesia, a localidade assumem particular importância.

comida.jpg

2.- “Erradicar a pobreza”, significa começar a agir, tendo em consideração a existência de pessoas com menores rendimento que um euro diário e em “todos os lugares”, que significa “extrema pobreza”, em termos de comida que alimenta e faz viver. Erradicar esta forma de fome é um imperativo dos Estados, assim como reduzir para metade ou eliminar as que estão em estado de “pobreza”. Por isso a nível de cada país, e local, deve ser garantido para todos “os homens e mulheres, particularmente os pobres e vulneráveis”, direitos iguais “aos recursos económicos” e a “serviços básicos”, como aos “recursos naturais, novas tecnologias apropriadas e serviços financeiros, incluindo as microfinanças”. Sublinharia aqui esta palavra “microfinanças”, para referir a necessidade dos poderes locais agirem em conformidade, propondo a “economia de comunhão”.

3.- O objetivo referenciado, não esquece que se trata de homens e mulheres de “todas as idades”, o nível etário, para nós portugueses, é essencial para esta compreensão, arredados que estamos dos mais idosos – fontes de sabedoria-, descartando-os e propondo “mesmo a morte” ou quaisquer apanágios de “esperança de vida”. Atenda-se que existe a necessidade de uma mobilização de recursos, para proporcionar o envolvimento de todos e todas. A criação de medidas localizadas para os levantamentos necessários e a ação subsequente, é do dever dos poderes locais que devem desenvolver programas alicerçados na erradicação da pobreza.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

- Publicidade -