Semana: Agricultura sustentável

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1.- Uma agricultura sustentável e segurança alimentar, é o que nos refere o segundo “Objetivo do Desenvolvimento Sustentável”, aprovado pela ONU. Prosseguido com a “Agenda 2030”, substanciada pela “boa governança” e tendo por base os desenvolvimentos ecológicos da economia, ambiente, social e cultural, colocam aqui uma tónica irreversível; não existe felicidade, não existe qualquer desenvolvimento, não existe sustentabilidade, em nenhum lugar deste universo, sem garantir que para todas as pessoas existam “alimentos seguros, nutritivos e suficientes durante todo o ano”. O “desenvolvimento local”, ao nível das regiões ou dos municípios, não se faz sem dinamização cultural, mas também é necessário acabar com “todas as formas de desnutrição crónica” e desnutrição nas “crianças menores de cinco anos”, assim como as necessidades nutricionais “dos adolescentes, mulheres grávidas e lactantes e pessoas idosas”. Este grande desígnio global, pode e deve ser entendido como um desafio a todos os governantes, especialmente ao nível local.

2.- Dobrar a “produtividade agrícola” é outro dos desafios, pois entendível ao nível da “alimentação saudável”, por isso os pequenos quintais têm um contributo essencial para que o objetivo seja pretendido. Ajudar a manter os “ecossistemas, que fortaleçam a capacidade de adaptação às alterações climáticas”, garantindo “sistemas saudáveis de produção de alimentos”, significa a saudabilidade das sementes, plantas, animais de criação, as respetivas espécies selvagens. A gestão de “bancos de sementes” ao nível local será uma boa forma de “troca”, e de uma “economia de comunhão”; esses “bancos” podem ser geridos – digo eu, – pelas autarquias locais, serem trocas, não burocratizadas, mas um chamamento ao combate à fome e à pobreza, na amizade, na comunhão, de “aldeias” que querem ser sustentáveis e não “sustentadas”. Um “banco de terras” para doar a quem as quiser cultivar é uma prática já comum, mas que convém fomentar ainda mais.

agricultura sustentavel

3.- Apoia este “Objetivo” a chamada “Rodada de Desenvolvimento de Doha” ou a “Agenda de Desenvolvimento de Doha”, que deve ser cumprido com a abertura à exportação dos “alimentos saudáveis”. O grande problema desta “Agenda de Doha”, consiste em que os países desenvolvidos fornecem “fortes incentivos e subsídios” aos seus produtos agrícolas, colocando na miséria os pequenos agricultores, porque os “ricos” querem a colocação dos seus produtos e sua venda a preços incompatíveis com os “pobres”. Estas questões são colocadas no âmbito que venho mencionando do “agir local, pensar global”, a que os 192 países da ONU, vêm, agora, a dar um impulso decisivo contra a fome e a pobreza.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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