Semana: As desigualdades

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1.- As desigualdades atingem cada vez mais pessoas, o ser humano quase que pode estar reduzido à desigualdade. Existe desigualdade entre quem vive num país e de país para país. Necessário se torna que a desigualdade não se torne numa não-igualdade, dado que esta seria exclusiva (de exclusão) e nunca inclusiva. As desigualdades ainda as conhecemos e lutamos contra elas, a não-igualdade significaria um reconhecimento implícito e legal de não existirem igualdades. Somos todos iguais e todos diferentes, mas é nesta diferença que reside a capacidade de a todos os níveis existir o diálogo para a confluência do ser vivo, e espelhar a igualdade entre todos. Na inclusão está o segredo para caminharmos juntos, mas a inclusão é o respeito pela diversidade de culturas, do ser ontológico, com as variegadas formas de nos tornarmos irmãos e filhos iguais. O sermos iguais não significa mesmo pensamento, mas a humildade de reconhecermos que no outro há sempre uma verdade, de que não somos possuidores. No outro existem valências que nos formam a nós próprios, no outro existe um “eu”, para dialogar com um “tu”, e sermos um “nós”.

2.- As desigualdades, que este objetivo, o número dez, da Nações Unidas, significa promoverem a “inclusão social, económica e política de todos, independentemente da idade, género, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição económica ou outra”. Um objetivo muito vasto, que, até 2030, se fixa pela “redução” das desigualdades, não deixa, porém, de se entender como uma dinâmica verificável para as oportunidades que reduzam desigualdades. Por isso o objetivo traça metas quantificadas. Uma delas é que 40% da população mais pobre cresça em rendimento a uma taxa superior à média de cada país. Outra, é reduzir em pelo menos “3% os custos das transações de remessas dos emigrantes e eliminar corredores de remessas com custos superiores a 5%”.

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3.- O objetivo tem, também, na sua génese a eliminação de leis, políticas e práticas discriminatórias e a promoção de outra legislação de rotura com práticas absurdas. O enfoque na igualdade traduz a igualdade, com medidas de descriminação positiva em matérias fiscais, salariais e de proteção social. Para tal é necessário dar voz aos países mais pobres e dentro destes aos mais pobres das sociedades. Por isso mesmo é que ao nível local, do município e das freguesias, o objetivo será atingível quando ouvirmos os mais pobres e as suas carências, para que todos tenhamos uma política contra a desigualdade e a não-igualdade. Produzem-se as alterações necessárias se os municípios tenderem para a igualdade de todos os cidadãos e as cidadãs, então teremos o objetivo cumprido.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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