Semana: As linhas liberais

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1.- As linhas enquadradoras para a elaboração do Programa Eleitoral da coligação liberal, PSD/PP, em si não constituem uma abordagem crítica, histórica e credível. Estas linhas orientadoras não são mais que uma resposta urgente ao PS. Depois de enumerar os feitos produzidos pelo PSD – um grande partido, ao nível do nosso povo – e pelo PP – um pequeno partido sem quase expressão eleitoral, começa da pior maneira: “Nesse quadro de verdadeira emergência nacional a atual maioria foi chamada à responsabilidade de retirar Portugal da situação dramática a que a incompetência e a leviandade de outros nos conduziram. De repor Portugal no caminho do crescimento e do desenvolvimento. De devolver a Portugal o prestígio e a credibilidade que então eram perigosamente postos em causa.”, esta lapidar frase contrasta com o que o agora primeiro-ministro dizia nas eleições anteriores, que nunca chamaria o governo antecedente como desculpa para o que iria ou não fazer. O que vem sendo normal laudatória, por exemplo que não aumentaria impostos, que se verificou ser uma não-verdade.

2.- Mas estas linhas, ainda não programa eleitoral, possui três desafios: i) a questão demográfica; ii)a qualificação das pessoas; iii) competitividade das empresas e da economia. De reparar que o epicentro destas linhas e depois dos compromissos assentam sempre no cariz económico, que passa a ser economicista, logo não sustentável. Sobre a questão demográfica, questão mais social e cultural, torna a traduzir-se em boas intenções de “políticas publicas amigas das famílias”, não se percebendo o que significa isto. Sobre a “qualificação das pessoas”, transcreve-se: “no quadro de uma economia cada vez mais globalizada e competitiva, o acesso ao saber, tanto teórico quanto prático, é cada vez mais o elemento que faz a diferença.”, o que é tradutor de uma ignorância sobre o ensino e a formação profissional. Sobre a “competitividade das empresas”, bléu, bléu, considerações que poderão ser escritas por qualquer um.

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3.- Os programas partidários poderiam ser um contributo para a discussão dos cidadãos, mas este! Bem esperemos pelo “Programa Eleitoral” definitivo, nem sequer, reparem fala nos países de língua portuguesa, a CPLP – espero que tenha sido falha minha ao ler-, o que se traduz por uma centralidade na União Europeia, quando aí não está tudo, e todos o sabemos. Desenvolvimento Sustentavel é omisso. Espero sinceramente que o PSD e o CDS/PP tenham algum contributo a dar aos eleitores, que este não pode ser.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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