Semana: Bloco apresenta programa

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1.- O Bloco de Esquerda apresentou o seu programa eleitoral e propostas para as próximas legislativas. As propostas constam de um documento intitulado, “Recuperar o que é nosso”, são divididas em cinco grandes áreas: 1.- Europa. Desobedecer à austeridade; 2. Trabalho. Criar emprego e recuperar direitos; 3. Estado Social. Fator de modernização do país; 4. Justiça e Igualdade. Razões da democracia; 5. Bens comuns. Desenvolvimento produtivo e ambiental, de onde constam dezenas de decisões, que não são clarificadas. Preocupando-se em esclarecer o eleitorado que os partidos a quem chama “arco do memorando”, ou seja o PS, CDS e PSD, não são capazes de governar, fundamenta-se nisso mesmo para se apresentar. Mas na longa retórica não se vislumbra no BE um partido para governar, nem que seja com o PCP. Incapaz de forjar a sua própria unidade interna, dado a variedade de partidos nele contidos, o BE apresenta um programa baseado na substantividade dos partidos mencionados, parte daí para caldear as suas próprias intenções, como se fosse isso o suficiente para se apresentar aos portugueses e às portuguesas.

2.- Como em outros programas eleitorais já aqui referidos, o BE conhece a “Sustentabilidade” da Segurança Social, erro crasso quer do ponto de vista político quer técnico. A determinada altura refere, “A crise que vivemos é social, económica e ecológica. A política de austeridade aumentou a exploração dos recursos ambientais. A saída da crise tem de reconverter o modelo de produção, reduzindo os consumos supérfluos e apostando em tecnologias e bens renováveis e não poluentes. Porque reduz o tempo de trabalho e se concentra na qualidade de vida, este caminho é o único compatível com a criação de emprego e com o trabalho com direitos.” Ora, erro, não é! A crise que vivemos é de valores, de cultura, associada naturalmente à economia, ao ambiente e à coesão social, mas na base está a cultura e a espiritualidade gerada por todos os seres vivos. Muito errado não ser capaz de visualizar um todo, a partir dum localizado.

Bloco de Esquerda

3.- Em todo o seu programa nem uma referência à CPLP, urdindo com uma saída da NATO – aqui bem, os blocos militares deveriam ser destruídos, como foi o Pacto de Varsóvia -, mas esquecendo-se que a envolvência de Portugal não reside unicamente na Europa, mas como portas de entrada e saída também na CPLP, como muito bem refere o candidato presencial Sampaio da Nóvoa. Fechado na articulação de “independentes+ marxistas+ trotequistas+ leninistas + maoístas”, este BE se não é para governar fosse ao menos para uma oposição séria aos poderes dos senhores das guerras e, logo, do dinheiro. Assim não é, porém, e temos muita pena.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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