Semana: Cidades Inclusivas

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1.- Trata-se do 11.º Objetivo da ONU, tornar as cidades inclusivas e sustentáveis. Se é uma das caraterísticas o “local”, como motor desta aldeia global, que se chama planeta Terra, este objetivo dirige-se à cidade, “cidade habitada”, forjada na polis, e no querer comum, de uma minúscula parcela, mas que todas estas minúsculas parcelas refazem um total “globalizado” de bem comum. Não podemos suportar uma democracia participativa baseada somente em células básicas. Essas células base da sociedade só o são, desde que participem num todo, e a sua soma seja superior, sistemicamente, à sua soma algébrica. Por isso mesmo, só um todo consegue ter a capacidade para envolver o indivíduo. Toda a cidade é inclusiva, se não, não pode ser cidade. São prédios ao alto, em que se vive, mas no baixo existem pessoas enroladas em cobertores, que alguém lhes deu. A inclusão não é, porém, o embebedar as pessoas naquilo que as consciências pesadas de outros lhes dão, mas partir do mesmo pão, enquanto companheiros e companheiras de Vida.

2.- O objetivo de que falo diz que, até 2030, se deverá: “Tornar as cidades e os assentamentos humanos, inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis”. Para tal não é só necessário um acesso a transportes, segurança rodoviária, transportes públicos, mas uma especial atenção para “as necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres, crianças, pessoas com deficiência e idosos”, aqui está, em Portugal, e na Maia em particular, o que deve ser “a cidade”, enquanto paradigma de vida. Olhando por todo o lado, e sem ter como assentos os poisos dos gabinetes, ver, animar, dirigir, caminhar, com quantos necessitarem. Esses são os mais desprotegidos, aqueles a quem o desenvolvimento não chega, nem os económico, ambiental, social e cultural. É o ser ecológico que está em questão, nas mais variadas aceções, as suas inter-relações, as suas manifestações de vontades, por isso aumentar a “urbanização inclusiva e sustentável” é o desafio de todas as autarquias, para que o nosso mundo possa ser uma sociedade nova.

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3.- O “património cultural” é visto como uma necessidade imperativa, necessária e substancial. O património cultural faz parte de uma cultura passada, mas mais do que isso, de uma cultura a ser realizada. Cultura inclusiva acessível a espaços verdes, acessíveis às pessoas mais idosas ou com deficiência. Mas também às mulheres, tão ultrajadas, e às crianças embebidas em espaços ocos, designados por buracos negros, ou melhor, à internet, nas suas ultrajantes conquistas. Dizendo um sim, às ações contra as alterações climáticas, porque importa se eu estou envolvido ou não, porque a iniquidade do meu solipsismo, envolve a cidade em nada. É muito importante que todos estejamos, em particular os poderes públicos, em devolver à cidade as suas pessoas e as pessoas à sua cidade.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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