Semana: Crescimento económico

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1.- O uso da palavra “crescimento”, em vez de “desenvolvimento”, seja em que área for, é deficitário, no meu entender. Todos compreenderão que, mesmo uma pessoa, pode crescer em altura e não ser desenvolvido, entendo, porém, a palavra e as sua deficiências, mas como sou, penso como deverei ser caso único, assim vou relativizar a palavra entendendo-a como “desenvolvimento”. Este objetivo, número oito, da ONU, que fala em “crescimento económico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo, e trabalho decente para todos”, dirige todas as suas medidas à calendarização da sustentabilidade, por isso só pode ser entendido como uma negação ao neoliberalismo económico, que alguns teimam em passar até para o liberalismo, num apoio pleno ao crescimento económico para alguns, muito poucos, que detêm poderes incomensuráveis. Até porque o “emprego pleno e produtivo” só pode ser alcançado se alavancada a estruturante cultura dos povos e da “governança mundial”. Ninguém é uma ilha, ninguém é separável dos outros.

2.- Até ao ano de 2020, propõem-se reduzir os jovens sem emprego, formação e educação e “operacionalizar uma estratégia global para o emprego de jovens”. Mas dentro de “um trabalho decente”, não o trabalho resultante de “recibos verdes” que a todos incomoda. O que também, diga-se, pressupõe uma alteração de paradigma em quem possui o trabalho e quem é o trabalhador. Se esta questão for prenunciativa de uma “luta de contrários”, então será melhor não pensar em “trabalho decente”, com uma cultura subjacente. Uma economia saudável não pode ser uma “economia de mercado”, mas uma “economia social e de comunhão”, só esta conduz a uma reprodutividade assente na cultura da solidariedade e subsidiariedade.

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3.- O objetivo prevê um crescimento de 7% /ano do PIB, nos países menos desenvolvidos, uma modernização tecnológica e inovadora e que o crescimento económico não se faça através da degradação ambiental. Continua o objetivo, a ser muito pouco exigente, pois não calcula o PIF, Produto Interno da Felicidade, mas só traduz em termos financeiros o seu cálculo, deixando aquilo para que vivemos e o epicentro da vida, que é a Vida. Fala ainda em “erradicar o trabalho forçado” e acabar com modernas escravidões e tráfico de pessoas, assim como a promoção do trabalho em “ambientes seguros”. Curioso é no meio destas perspetivas se incluir “o turismo sustentável”, como motor de cultura. Tudo isto até ao ano 2030, exceto o assinalado, se se conseguir é um bom passo para a nossa vivência saudável e para uma cidade sustentável. Cabe também aos poderes autárquicos apressar todo este trabalho, fator decisivo para a globalização da cidadania.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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