Semana: Do Orçamento 2015

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1.- A semana que passou foi um desastre: apresentado o orçamento de estado para 2015 prova-se a inaptidão dos nossos governantes para compreenderem que a economia liberal, e até ultraliberal, que está a ser seguida, é um “crime”. Ajoelham-se perante um economicismo, inimigo das pessoas, e muito mais daqueles que nada têm a perder, porque tudo já lhes tiraram, baixando-se a ídolos construídos por si próprios. O centro da vida, é a Vida, em abundância; o centro deste orçamento são cegos, que vendo, não vêm, prometendo, não cumprem. Isto não é política! Já viram o que o orçamento traz para a política da natalidade, por exemplo? Nada! Confundem dinheiro com pessoas, não é concebível: “peguem lá uns cêntimos e façam filhos”, “cegos e idólatras”, que não conseguem perscrutar o sentir dos homens e das mulheres que trabalham, isto não é fomentar a natalidade, mas, talvez, possuir mais pobres para os seus desígnios inconfessáveis do domínio amordaçado do nosso povo. Educação baixa 11%, a Cultura – base de qualquer povo, – nisso não se fala, é um orçamento onde a participação democrática dos cidadãos nada conta.

2.- Eis as sondagens/barómetros: António Costa já vai nos 45%, nada de festas. Estas sondagens, este barómetro, indicam um caminho de António Costa poder vir a ganhar as legislativas, mas esse caminho dura um ano, e muita coisa se passará. Tanto mais que lhe faltam as linhas programáticas fundamentais, e essas são mais a “doer”. Se este orçamento para 2015 não serve, qual será o que serve? Não existem ainda explicações, só boas vontades e desígnios. António Costa se quer governar bem – e eu acredito, – então não faça um programa de governo em quaisquer gabinetes, ouça antes o povo, aqueles que não têm voz, nem vez. Sim, ouça os que dormem ao relento, passam fome, não têm acesso à cultura, venha cá abaixo; vem ao Porto esta semana e faz bem: analisar problemas partidários e ouvir o presidente da Câmara do Porto, fazia-lhe bem guardar um bocadito da noite e ir, ir pelos caminhos dos que fazem suas casas a rua, ir às “periferias”. Vá lá!

3.- Deixo palavras de António Francisco, bispo do Porto, no colóquio internacional sobre a restauração da diocese do Porto: “Nunca faltou aos bispos do Porto esta ousadia evangélica e esta coragem histórica de saber estar sempre do lado da liberdade, na defesa da dignidade humana, na promoção da justiça e na escuta atenta e solidária do clamor dos pobres! Dos tempos mais próximos basta referir D. António Barroso e D. António Ferreira Gomes. Um e outro tiveram de pagar o doloroso preço do exílio para salvaguardar a liberdade e o direito para os seus concidadãos! “De joelhos diante de Deus e de pé diante dos homens”, os bispos do Porto fizeram seu lema e sobretudo sua atitude e seu testemunho! Guia-nos aqui hoje a sua memória e permanece connosco o seu legado como luz para o nosso caminho e esperança confirmada para os nossos sonhos. Determina-me um igual serviço da causa pública ao Porto, o mesmo sentido de entrega ao bem comum e o assumir decidido deste desígnio de missão cívica, cultural e apostólica, que de Deus, através deles recebi.”

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto