Semana: Escutar ativamente

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1.- Francisco, bispo de Roma e papa, voltou a lembrar aos bispos sinodais, que é necessário ouvir o outro. Só ouvindo o outro se ouvirá o Outro. Após duas semanas de reflexões e debates, os bispos têm várias opiniões. E podem ter! O que será necessário é que essas opiniões sejam de ouvir o outro, bispo que ouve bispo, bispo que ouve os clamores da humanidade, é que se assim não for, como se conseguirão ouvir uns aos outros, capazes de ouvir aqueles e aquelas que estão fora do sínodo, o povo cristão e os sinais que tantos não cristãos dão aos bispos e aos cristãos. Essa escuta não pode ser um ouvir silencioso, mas um ouvir ativo, muitas vezes sem retorquir. As opiniões dos bispos não podem ser desinseridas das realidades, do real, do sinal, que tantos homens e tantas mulheres dão. Às vezes parece que são surdos, mas não mudos, por isso falam de práticas que não conhecem, devido à sua situação. Não estou a dizer que os bispos, reunidos em Sínodo, não possuem sensibilidade, mas que devido à sua vida, são seres situados, numa prática, que não conhece outras práticas.

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2.- Neste sínodo os bispos de todo o mundo discutem sobre a família, no momento em que esta está redefinida nas práticas quotidianas. Mais, discutem coisas como, se um divorciado pode ou não aceder à comunhão eucarística. A realidade, a realidade, é que existe um índice de divórcios acima do expectável. Existem cristãos divorciados e (re) casados. Existe um número elevado de cristãos e cristãs, que tendo em consideração que a Igreja os descartou, por isso mesmo, voltam costas a ela. Existem cristãos (re) casados que participam, regularmente, na eucaristia. E fazem-no com todo o sentido de responsabilidade, mais, de santidade. Somos juízes para impedir o que a sua consciência, em paz, envia ao sacramento? Não seremos nunca, isso seria como atentar contra a dignidade e de que todos e todas são filhos e filhas de Deus. Quando os padres conciliares vierem, agora, ou daqui a uns anos, a descobrir que isso não se discute, já cada um se abeirará do altar, tomando o Pão da Vida.

3.- Analisam, também, os bispos a doutrina sobre os homossexuais e lésbicas, alguns saberão o que é amar, um outro, do mesmo sexo; outros, a maioria, certamente, não sabem, porque nunca aconteceu na sua vida. Estamos na mesma posição, agora ou daqui a uns anos, virão pedir perdão, e corrigir a sua determinação. Sobre estes assuntos, os bispos reunidos ou debatem a substância dos ensinamentos da Igreja, que são muito para lá destas questões, e que vão no sentido de querer ler e (re) ler os sinais dos tempos, porque só assim poderão sentir o fogo do Espírito do Senhor a soprar em todos os homens e mulheres e não só em alguns.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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