Semana: Francisco, servo

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1.- Os grandes meios de comunicação social, incluindo alguns religiosos, parecem querer esquecer a encíclica “Louvado Sejas!” e todas as declarações que o papa Francisco tem feito, mesmo em relação à Grécia. Poderá existir um conluio entre os senhores das guerras e do dinheiro, contra um servo de Deus, chamado Francisco, eleito em conclave no Vaticano. Estações de televisão, jornais e rádios, tudo têm feito para reduzir as palavras do Papa a nada, quando tão afoitos foram com alguns antecessores seus, que impingiam à saciedade. Francisco é servo, servo dos mais pobres, empunhando a bandeira contra as indiferenças e abraçando causas e valores há muito não sonhados. Francisco não é poder, mas servo, por isso dentro do próprio meio em que se movimenta muitos anseiam por voltar a possuir poder. Francisco colocou no lugar o verdadeiro lugar de papa, como voz que clama, brada, grita, mesmo que esteja a falar no deserto. Francisco não desiste de ser servo, porque nunca foi e não quer ser senhor do poder, mas senhor da fraternidade suculenta, alimentando a muitos.

2.- Vejam-se as suas palavras nos últimos dias, em viagens escurecidas pelos meios de comunicação: “Vivo em Roma. No Inverno faz frio. Acontece que, muito perto do Vaticano, apareça um velho de manhã morto de frio. Não é notícia em nenhum jornal, em nenhuma crónica. Um pobre que morre de frio e de fome hoje não é notícia, mas se as bolsas das principais capitais do mundo baixam dois ou três pontos há um grande escândalo mundial”. Aqui está, o problema de uma sociedade com “economia que mata”, economia que subjuga, economia que humilha os povos, economia desastrosa, que oprime. Um povo, um político, um religioso, um cristão, que oprime, é sempre um oprimido, nem que seja pela idolatria do dinheiro; faz guerras, porque sabe que na Justiça a Paz foi alcançada.

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3.- Sobre a Grécia, a sua humilhação e servidão, pelos europeus, dos “cinco costados”, Francisco pede desesperadamente que se evite que “outros países caiam no mesmo problema” e que isto ajude a “seguir em frente, porque o caminho dos empréstimos e das dívidas, no fim de contas, nunca acaba”. Pois Francisco, bispo de Roma e Papa, coloca um outro paradigma económico, baseado no desenvolvimento integral e ecológico dos seres vivos, e longe de ser antropocêntrico, procura ardentemente que os povos sejam livres. Por isso é importante calar a sua inconveniente voz e em surdina colocar na gaveta a sua encíclica, porque ela é política, tanto como a mensagem das bem-aventuranças do Senhor Jesus. É profética, porque causadora de dores àqueles que preferem um cosmos monopolizado pelos “crimes científicos” que parecem não-crimes, cometidos principalmente pelos senhores das guerras e das armas.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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