Semana: Igualdade de género

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1.- A “igualdade de género” é uma das características mais fundamentais na sociedade, não é possível a existência de liberdade com retirar quaisquer direitos concedidos ao homem e usurpados às mulheres. Estas têm um contributo imprescindível na humanidade, contributo que não é inferior ao do homem. As mulheres nos últimos milénios são reduzidas na sua humanidade. Ainda há muito pouco tempo no nosso país, as mulheres casavam, ficavam em casa, faziam um trabalho não remunerado em casa e eram as últimas, sempre as últimas. Viviam para os seus maridos e seus filhos, esqueciam a sua dinâmica peculiar do género feminino, como portadoras de dons especiais no sentido da construção de uma nova sociedade. Não tendo “igualdade de género”, isto é, o protagonismo que lhe é inerente, enquanto seres humanos com dignidade igual à do homem, seriam os sacrifícios da própria sociedade, que as imolava na indignidade, só porque nasceram mulheres. Se pelo nosso país, felizmente, temos verificado uma grande evolução, não concluída é certo, em outros países, que bem conhecemos, continuam a ser amordaçadas, até do direito inalienável à educação e formação.

2.- O “Objetivo 5 – Alcançar a igualdade de género e dar impulso a todas as mulheres e meninas”, dos “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”, aprovados pela ONU, é uma das caminhadas mais particulares para se atingir o Desenvolvimento Sustentável e um dos seus pilares: “a ecologia social”, ou seja, a coesão social. Referindo ser necessário acabar com todas as formas de descriminação contra as mulheres e meninas, a violência sob todas as formas e o tráfico e exploração sexual e de todos os outros tipos, este Objetivo, não quantificado temporalmente – o que, diga-se, constitui um falhanço -, também se esforça por eliminar os casamentos prematuros, forçados e as mutilações genitais femininas. O reconhecimento e valorização do trabalho doméstico, a participação plena das mulheres, o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva, acesso à propriedade e controlo da terra, às heranças e recursos naturais e legislação sólida para a promoção e igualdade de género, são outras das medidas a implementar.

Igualdade de género

3.- Não deixa de ser pertinente que este objetivo se refira constantemente as “mulheres e meninas”, e não só “mulheres”, não é uma casualidade, mas uma determinante. O acento tónico em “meninas” torna o objetivo mais ativo, mais feroz contra as arrogâncias de certos governos e estados, que fazem destas “meninas”, umas meninas que nunca foram crianças, no dizer de Soeiro Pereira Gomes, no seu livro “ Os Esteiros”. Uma luta cultural, contra uma tradição abjeta.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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