Semana: Indústria Sustentável

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1.- Uma indústria sustentável sustenta-se, sem dúvida, no fortalecimento da investigação e desenvolvimento, afim que os seus ciclos de vida possam ser monitorizáveis tornando-se resilientes. O ciclo de vida de um produto é aquele que se inicia antes de existir, com as matérias-primas associadas, e o seu fim, isto é, o seu destino reciclável, dando origem a um ou vários novos ciclos de vida. Por isso mesmo a inovação é fundamental para a correção dos erros cometidos, no defraudamento dos bens da criação. As infraestruturas resistentes promovem uma indústria inclusiva, uma indústria que se reveja no desenvolvimento do emprego, no PIB criado e no PFI (Produto de Felicidade Interna). Aqui o “interna” significa no interior de cada pessoa, adentro do “todo” que é este cosmos, sem começo, nem tempo. O desenvolvimento económico é disso um aspeto determinado, que não-determinante. A economia apoia o desafio do desenvolvimento holístico de “dentro” e de “fora” de cada ser vivo – humano ou não-humano. Uma confluência de vontades e decisões.

2.- Penso ser assim, que deverá ser lido o Objetivo número oito, das Nações Unidas, até 2030, e que refere: “Construir infraestruturas resistentes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação”. Infraestrutura “de qualidade, confiável, sustentável e resiliente”, para que o desenvolvimento económico possa estar ao serviço do bem-estar humano e a industrialização possa ser inclusiva. Mais que grandes impérios empresariais, contará o aumento das micro e pequenas empresas que deem substrato ao “localizado”; são estas empresas dimensionadas para o local que desenvolvem as regiões, do ponto de vista “situado”. Sem querer minimizar a empresa exportadora, que de um país, para outro, se envolve no desenvolvimento dos bens e produtos necessários à vida. Mas até nisto teremos que nos “situar”, dado que somos um pequeno ponto do cosmos, necessitando dos seus produtos, como exemplo o sol, exportado desta estrela para o planeta terra e de graça.

industria

3.- Os povos, principalmente os menos desenvolvidos, devem possuir os seus recursos usados, não explorados, com a adoção de “tecnologias e processos industriais limpos e ambientalmente corretos”, e se assim não for pelo menos assistimos a mais uma guerra, entre nós e a Natureza. O desenvolvimento industrial é necessário se for inclusivo, dinamizado pelos investigadores, para a sua diversificação e agregação de valor sustentável. Isso só com a intervenção local, pensamento local, ação local; só com este paradigma se pode estabelecer um desenvolvimento geral, de nível planetário. O bom governo local, requer a assunção de uma indústria amiga da vida, pela participação nas soluções dos cidadãos e cidadãs.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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