Semana: Mariano Gago

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1.- Não teve as bandeiras a meia haste do país que serviu. Também não precisava disso! Mariano Gago faleceu, em sua casa. O ex-ministro conhecido pela sua “Ciência Viva”, foi de uma inteligência ímpar; conseguiu ver aquilo que muitos não vêm, porque possuem os olhos vendados. Que a ciência, os cientistas, as universidades, o ensino, a aprendizagem e a cultura, são o único caminho para Portugal sair de uma bancarrota, que alguns pretendem suprir com empréstimos em moeda viva. Mariano Gago não foi por esse caminho, mas pela substância do que faz um povo livre: a ciência e a cultura, o contínuo conhecimento. Era e é por aqui, que devem trilhar todos aqueles que pretendem um país, uma língua e uma cultura, em cada português e cada portuguesa. Assim está o país em desenvolvimento, que interessa “crescer sem desenvolver”? Mariano Gago sabia-o, por isso investiu na investigação e lutou pela mudança de paradigma. Mariano Gago, foi só o melhor ministro que alguma vez Portugal teve.

Mariano Gago

2.- Mas Mariano Gago sabia, como todas as pessoas inteligentes, que o seu trabalho não era visível no imediato, mas na construção do futuro. Por isso não teve bandeiras a meia haste, sem desprimor para os que tiveram, nem imensas declarações, os jornais, alguns, dedicaram-lhe a primeira página, outros desconheceram. O seu funeral foi seguido sobretudo por quem privou com ele nos governos e os cientistas, porque aí sabiam quem era bem Mariano Gago. Mas ele também não precisava disso. O povo português, um dia vai descobrir quem era Mariano Gago, os mais jovens sabem bem quem era, pelas excelentes bolsas que distribuiu, pela demonstração inequívoca do apego à ciência, colocando-a sempre como substantiva. O país deve-lhe a persistência, ousadia e capacidade de entendimento do que era melhor para Portugal.

3.- Estou a ver Mariano Gago, com a sua simples gabardina a falar sem atacar ninguém, defendendo os jovens e a ciência. Via-se pela forma como sorria, vestia e olhava a sagacidade com que amava o seu país. Porque ele amava o seu país, e foi um seu servidor, nunca se serviu de cargos para benefícios pessoais. Nem como ministro, nem como professor. A sua simplicidade – veja-se a sua cara e os seus óculos -, dizia bem da grandeza interior de que era possuído. Sem vaidades pessoais, com uma rara inteligência, deu-se à ciência e ao país, este, contudo, ainda não o reconheceu. Também não precisa disso, quando depende de entidades oficiais que espumam ódios pela ciência e a cultura. Mariano Gago, só uma palavra: Obrigado!

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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