Semana: Nós Cidadãos

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1.- O Partido Nós Cidadãos (NOS), que se apresenta, pela primeira vez, a eleições, pretende ser o representante das pessoas, no entanto define logo por: “promover um conjunto de políticas em rutura com o atual paradigma neoliberal, defendendo os interesses individuais a par do bem comum.” Esta característica da defesa dos “interesses individuais” e do “bem comum” a par, é desde logo desajustada, porque não alicerçada no diálogo frutuoso com as populações, emergindo a solidariedade e subsidiariedade. Ataca fundo o NOS ao neoliberalismo, ao se aperceber que afinal o ultra liberalismo é de facto a sua “rosa-dos-ventos”. O restante do seu programa deve ser lido nesta constante. Não existe mais forma de dar corpo a uma política de direita, do que defender o “individualismo” e o bem de todos os cidadãos, como se fosse possível tal. O programa em si reflete o que tantos dizem, nem mais nem menos, pelo que condicionando a sua atuação ultra liberal, o NOS propõe-se a nada. Não existe uma única ideia nova neste programa, a não ser a condição enquadradora de colocar o individual acima das pessoas, mesmo que se digam propulsores do bem-comum.

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2.- Referindo os seus Pontos Cardeais, que dizem ser quatro, que forma a tal “rosa-dos-ventos”, “definem o horizonte dos caminhos e das medidas que iremos apresentar e das propostas que iremos defender na Assembleia da República, numa perspetiva reformista.” Então, enumeram-se assim: i) PROMOÇÃO DO EMPREGO, RESGATE DO SOBREENDIVIDAMENTO; ii) COMBATE À CORRUPÇÃO; iii) REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO E ELEITORAL; iv) NOVA ESTRATÉGIA NACIONAL. É justo que os meus leitores e leitoras digam, “Onde é que eu já ouvi isto? E há quantos anos?”. Estes são os enunciados, mas o corpo do discurso não varia também. A “promoção do emprego e da coesão social”, “sustentabilidade da segurança social”, “uma maior equidade nos impostos”; “combater a corrupção”, “transparência”; “moralização e responsabilização dos eleitos”; “promover a coesão social e a sustentabilidade ambiental”, na Europa e dos PALOP.

3.- O NOS ainda fala, duas vezes, em sustentabilidade: a da segurança social e a ambiental. Bem, cada vez estou mais convencido da iliteracia dos partidos políticos sobre “sustentabilidade”, mas pelo menos não faria mal ao NOS aprender um pouco na Carta Encíclica última, do Papa Francisco. Sempre ficariam a saber o que é a sustentabilidade e que esta não é, nem pode ser, uma comunhão ultra liberal que pretende fundir o bem comum com mensagens “individualistas”.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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