Semana: Os oceanos e os mares

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1.- Camões escreveu sobre os mares e oceanos. A sua grande epopeia que são “Os Lusíadas”, cantam as marés, os marinheiros e os mares, por onde os portugueses deram da sua vida, para que outras vidas abundassem. Sangraram os nossos corpos sobre os mares, procurando outros povos; ali se sedimentaram os nossos cantares e os lutos das namoradas e das esposas dos filhos de Portugal. Não temos vergonha, nem é para ter, de cantarmos as águas ao som das mãos calejadas dos nossos navegadores. Afirmamos mesmo que se poluímos os mares foi com as vidas dos nossos antepassados e o nosso sangue voa por entre os rochedos das angústias e dos quereres do nosso povo, sem medos de Adamastores, quais gigantes despedaçados pelas alegrias das chegadas aos nossos mares e oceanos. Sabemos bem do que são os mares encapelados, como as maresias do cheiro dos pulmões. Cantaremos, com loucura, os novos mundos aos mundos, sob nossa pelejadora batalha. Cantaremos, com loucura, os tempos e os lugares por nós descobertos, sob a vontade férrea das cores de Portugal.

2.- Por isso mesmo sabemos da pertinência da “conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e dos recursos marinhos, para o desenvolvimento sustentável”, de que nos fala o Objetivo n.º 14, da ONU. Os “ecossistemas marinhos e costeiros” ameaçados pela degradação a que os sujeitamos devem, até ao ano 2020, ser restaurados e assegurar “oceanos saudáveis e produtivos”. A poluição marinha devida a atividades terrestres, “incluindo detritos marinhos e a poluição por nutrientes”, deve ser minimizada e a “acidificação dos oceanos” eliminada pelo reforço da cooperação científica.

criança praia

3.- Os recursos marinhos até agora conhecidos e os muitos outros ainda desconhecidos devem ser objeto de uma “gestão sustentável da pesca, aquicultura e turismo”. Os oceanos não são só autoestradas marinhas, por onde se navega hoje com a certeza de um magnífico prazer, mas o sustentáculo de toda a vida humana. A investigação científica sobre os oceanos e mares deve ser prosseguida de tal forma que a informação seja científica e credível. Vivemos dos oceanos e mares, por isso a sua sustentabilidade deve ser reforçada, e poderá sê-lo na medida em que constituímos toda uma cultura da saúde e biodiversidade marinha.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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