Semana: Partido da Terra

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1.- Curiosamente o MPT – Partido da Terra não apresenta um programa eleitoral, mas as suas estratégias para as legislativas 2015-2019, onde os seus representantes eleitos assumem o compromisso de os defender. O MPT não reconhece a esquerda/direita ou centro pelo que se sentará em qualquer lugar, dependendo das causas que estarão a ser debatidas. Nem esquerda/direita/centro, mas afirma-se “liberal” e “ecológico”, ficamos a saber que o seu “liberalismo” é fundamentalmente na economia, e que, por isso, o situado do MPT é claramente definido, politicamente. Aliás ao defender o desenvolvimento sustentável afirma: “Acreditamos que só com objetivos e metas específicas, claras e mensuráveis será possível criar um ambiente de crescimento e desenvolvimento sustentado.”, produz um efeito contrário à “sustentabilidade”, porque se é “sustentado”, por alguém o será e o “sustentável” não pode ter lugar, dado que isso está nas antípodas da sustentabilidade, que, por definição, introduz um conceito de não ser “sustentado” por outrem, mas pelos próprios, seja na ação local, nacional ou internacional. Por outro lado, ao misturar “crescimento” com “desenvolvimento”, só pode ser lapso ou deformação intencional de se situar.

MPT

2.- O compromisso fundamental do MPT está em defender três indicadores em Portugal, i) o indicador de “Felicidade Interna Bruta (FIB) ”em Portugal e alcançar o 78ºlugar no ranking global; ii) alcançar o 15º lugar no “Índice de Desempenho Ambiental (EPI) ”; iii) alcançar o 35ºlugar no “Índice de Competitividade Global (ICG) ”. Tanto quanto conheço, será o único partido concorrente às eleições que demonstra ter indicadores deste tipo perfeitamente direcionados, no sentido da defesa da trilogia que defende, “Felicidade- Sustentabilidade – Competitividade”. Não conseguimos, porém, verificar em todo o documento como chegar aqui, sendo abstratamente definidos sem a consequente ação governativa. Outrossim, não se compreende, como a chamada “competitividade” está fora da localização da “Sustentabilidade”, dado que esta já contém os quatro fatores que dela fazem parte, o económico, o ambiental, o social e o cultural.

3.- A “Felicidade” não é disjuntiva, mas compreendida numa sociedade sustentável e saudável e será o corolário disso. Parece mesmo que o MPT não compreendeu, ou não quererá compreender, que não basta dizer-se “Movimento Pela Terra”, até porque isso será sinusoidal, porque incapacita compreender o que é o planeta Terra, como minúsculo planeta no âmbito de todo um cosmos conhecido e desconhecido. Uma incompreensão determinante no seu posicionamento de defesa de “cidadãos participativos” ou “democracia participativa”, que não passará de slogans ligados entre si, sem qualquer consequência. Ficam-nos, deste partido, o contributo dos três indicadores referenciados, o resto não chega a ser “nada”, porque este “nada” é consequencial.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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