Semana: Pessoas – Animais – Natureza

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1.- O PAN (Partido das Pessoas – Animais – Natureza), tem construído o seu programa eleitoral. Torna-se curioso que para as mais de cento e cinquenta medidas a defender na próxima legislatura, contém sempre o Porquê? Para Quê? e Como?, o que não deixa de ser interessante ler. Todo o seu programa eleitoral é construído na base de filosofia, das “Pessoas-Animais-Natureza”, discutindo conceitos, como, o que é, a “pessoa”. Para o PAN, segundo compreendi, o conceito de “pessoa” passa sobre todos os seres vivos, existem é “animais-humanos” e “animais-não humanos”, é em torno desta dicotomia que traçam todas as suas estratégias e, concretamente, mais para o lado dos que dizem “animais – não humanos”. Se é verdade que no seu conceito de “sustentabilidade” se podem verificar as suas quatro caraterísticas, não é menos verdade um desfasamento entre elas; o PAN vive num mundo que ele constrói e não fornece espaço àqueles que vivem no aqui e agora. Torna-se sintomática a frouxa reflexão sobre economia e, logo, alguns disparates sobre esta matéria. Não sou favorável ao primado da economia, mas das pessoas, mas reconheço que sem uma economia assente na vida humana, nada se fará.

PAN

2.- O PAN advoga o fim das touradas como matéria incontornável, e faz bem, assim como o fim de animais no circo, mas não dos circos. Isto é, “animais-humanos” podem exibir-se em circos, enquanto “animais-não humanos” será proibido. Aliás, é uma constante do seu programa a palavra “proibir”, quando não faz sentido. Proibir é fornecer apoio para se multiplicarem as iniciativas e dar o flanco, que é o do apetecimento do fruto proibido. Não se percebe, porém, como se trata de “pessoas” aos “animais-não humanos” e há proteção às “pessoas”, “animais-humanos”, não se dá a enfase necessária i indispensável. Ou entende o PAN que só os “animais- não humanos” possuem características de pensamento e os outos não? No decorrer de todo o seu programa, que deve ser lido, contém algumas propostas boas, o PAN não concebe a trilogia que defende: “Pessoas – Animais – Natureza”, mas tão só “animais- não humanos”.

3.- Outro exemplo, é quanto à divida portuguesa, quando refere que: “Pretende-se que Portugal, no seio da União Europeia, seja um modelo psicossocial e económico vanguardista não só na análise das variáveis económicas, com novos indicadores como a Felicidade Interna Bruta e o Indicador do Progresso Genuíno (IPG), mas sobretudo na gestão financeira e económica de um novo modelo que beneficie diretamente as populações e não interesses elitistas. Esta era tecnológica onde “internet das coisas”, o acesso a bens e a cooperação são chaves da sustentabilidade nacional e mundial mostra-nos que é possível termos uma economia que funcione sem dívida adjacente e em pressupostos desadequados e ultrapassados.”, mas nas medidas apontadas não se consegue vislumbrar como tal acontecerá. É assim um programa dúbio, sem uma direção consequente.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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