Semana: Programa Liberal

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1.- Li com, creio, a devida atenção um programa eleitoral: “Agora Portugal Pode Mais”, de uma coligação e fiquei muito triste. Porque para mim seria uma coligação social-democrata e da chamada democracia-cristã, mas, de facto, é sustentada sobre um liberalismo da direita mais conservadora, para não dizer outra coisa. As cento e cinquenta páginas que se nos apresentam, contando capa e contracapa, não passam dum arrazoado leque de ideias, primeiro a não cumprir, segundo, onde perpassa o liberalismo económico, nem sequer o neoliberalismo. Logo no primeiro ponto “Responder ao Desafio Demográfico” apresentam-se uma série de medidas para elevação do índice demográfico – mais nascimentos -, qualificado e quantificado por mais medidas financeiras para as famílias, quando esta matéria é profundamente de valores e cultural. Nem uma medida deste tipo, e onde se fala em “Incentivar uma cultura nas organizações…” ou “certificação de empresas…como Entidades Familiarmente Responsáveis”, não passam de slogans e não consequentes atribuidores da problemática do trabalho da mulher, enquanto digna da sua condição, e o papel do homem (pai e avô) na dinâmica imparável e consequente do desenvolvimento societário.

2.- A incorreção técnica vai ao ponto de remeter a “sustentabilidade”, para uma questão da segurança social ou ligada estritamente aos “recursos e território”. Não saberão os fazedores de programas eleitorais que “sustentabilidade” não é isso? A Sustentabilidade é o desenvolvimento da economia, ambiente, coesão social e cultural; quando se fala em sustentabilidade da segurança social, está a falar-se não em “dinheiro”, mas nos aspetos dos seus desenvolvimentos ecológicos económicos, ambientais, sociais e culturais. É errado do ponto de vista sociológico, cientifico e de desenvolvimento sustentável e tecnicamente usar “sustentabilidade” só para dois fatores, como é referido no programa. São iliteratos quem se dá ao arrojo do uso dos conceitos levianamente. E, mesmo, as “certificações” de “empresas familiarmente responsáveis”, que advém de uma norma espanhola, há quanto tempo se certificam e mais, não é possível essa certificação sem a da “responsabilidade social” e outras.

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3.- A sério, mesmo muito sério, então quando se escreve sobre formação profissional os senhores do “programa” são irresponsáveis, quando ligam a “formação profissional” ao ministério da educação e por não saberem o que é a “formação de práticas simuladas” e “formação em contexto de trabalho” e quererem obter resultados ligando a experiências de outros países, despachando as dos portugueses. São culturas diferentes, senhores! Então essa do “aforro” voluntário das pensões é mesmo de matar. Alguém vai colocar dinheiro a “render”, quando não o tem para comer? O colocar de muitas promessas da “Coligação Portugal à Frente”, que se arroja de querer “Cidades Sustentáveis”, não sabendo o que isso é, é confrangedor e constitui desaforo principalmente para mais de dois milhões de portugueses que ficaram abaixo do limiar da pobreza para pagar juros aos bancos internacionais.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade

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