Semana: Um homem bom

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1.- O bispo do Porto fez, neste domingo de Páscoa, um ano dedicado às gentes portuenses, à sua Diocese do Porto. O que se poderá dizer de D. António Francisco? Um Homem Bom, sensível à dor, aos marginalizados e desprotegidos e comovido até à exaustão ao seu Senhor Jesus. Quem fala com D. António sente uma voz carinhosa e cheia de amor pelos outros. Não é dado a protagonismos, mas está bem na esteira de António Barroso, António Ferreira Gomes e Manuel Clemente. Tudo para ele é muito claro e o “muito obrigado” as palavras que mais profere. Sempre a agradecer, o mínimo que seja as suas palavras são sempre “obrigado”. Faz da sua vida, assim, um servo que não se cansa de agradecer aos seus “donos”; e não é só por simpatia, é uma forma de comunicação invulgar, porque lhe sai do coração. Ele não prende o seu coração, porque baila-lhe nos lábios. Os olhos são atentos e disparam sempre misericórdia. Quem lê os olhos do bispo do Porto – creiam que levei muito tempo confuso, porque não os sabia sentir -, verifica o cristão sempre pronto a favor do outro e do Outro.

2.- O “Jornal de Noticias” entrevistou-o ontem, domingo, e quem o lê sente isso. D. António Ferreira Gomes teve uma frase lapidar que todos lembram: “De pé diante dos homens e de joelhos diante de Deus”, o que o atual bispo segue rigorosamente com um pormenor interessante, contextualizado no “situado de hoje”, está liminarmente de joelhos para todos e todas que precisam de si. Não é um bispo do povo, porque ele próprio é povo, está lá bem no meio e sofre muito com as amarguras dos debilitados. Dizia-me a minha professora primária da terceira classe, há tantos anos!, que um homem tem de ter um pouco de vaidade, pois, mas isso é impossível neste Homem do Norte e que se dá totalmente às gentes; não estou a “endeusa-lo”, não seria possível mesmo que eu quisesse.

António Francisco
Imagem: https://www.facebook.com/Diocesedoporto

3.- Na entrevista realizada pelo JN, referida acima, o jornalista pergunta-lhe pelo “caso de Canelas”, não se escusa à resposta, a sua posição não é de crítica a ninguém, mas percebe-se naquilo que afirma a abertura total a um diálogo com as pessoas de Canelas, que não concordam com ele. Estende a mão, talvez seja o primeiro a fazê-lo, antes da “outra parte”, mas lê-se bem, muito bem, a sua disposição franca e amiga, irmã, para resolver os mal entendidos. Um bispo que aprende com todos, e a todos ensina.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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