Semana: Vejam bem

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1.- “Vejam bem, que não há só gaivotas em terra/quando o homem se põe a pensar”. Continua uma verdade ímpar! Vejamos esta situação: uma senhora, para cima dos oitenta anos, sentiu-se mal e a filha teve de recorrer ao hospital. Sabem quanto teve de pagar de taxa moderadora? A módica quantia de 33,15 € e recebe uma choruda pensão de viuvez de 364 €, quase 10% da sua pensão foi para um hospital, só de uma vez. Já esteve isenta de taxas moderadoras, agora não é que a filha que vive com ela tem um grande ordenado líquido de 500 €, e paga a prestação da casa e o demais, assim como a estadia da senhora no centro de dia. Ora, quando um homem se põe a pensar o que dirá disto? O que dirá duma situação aberrante e criminosa? Os velhos são descartáveis, quando mais cedo morrerem melhor. Assassinos são os nossos governantes que nem sequer se dignaram informar a senhora que deixava de ser isenta da taxa moderadora. Nesta Semana Santa é mesmo de olhar para a terra a ver se há só gaivotas e o resto que se amanhem. Existem homens e mulheres para serem tratados enquanto tal. Ou é assim que a troika trata os portugueses, para diminuição dos défices?

idosos

2.- E, já dizia, o nosso Padre António Vieira em carta escrita ao Rei D. João IV: “Dou infinitas graças a Deus pelo grande zelo de justiça e salvação das almas que tem posto na de Vossa Majestade, para que assim como tem sido restaurador da liberdade dos portugueses, o seja também da destes pobres brasis, que há trinta e oito anos padecem tão injustos cativeiros e tiranias tão indignas de nome cristão”. É assim quem nos governa, entendem que ainda são poderes e que “os brasis”, “os índios”, aqueles que menos podem, devem pagar a injustiça dos poderes instituídos. Não haverá nunca Paz, sem Justiça, por isso António Vieira defendia os cativos das tiranias, eram os índios os donos da sua terra que tinham de obedecer, sem mais, às tiranias, digo, da parte dos governantes e de alguns padres que pregavam a submissão inteira da escravatura. Hoje são estas pessoas [como as do ponto 1], os sofredores das tiranias. Isto não pode ser calado, venham os Antónios Vieiras todos, são cá necessários.

3.- E, falemos de animais, daqueles que são os melhores amigos do homem, mas nem sempre os homens são os seus amigos. Os cães, aqueles que têm inteligência suficiente, para não saberem distinguir entre um esfarrapado ou um vestido com fato e gravata, como dizia o meu falecido pai. A todos eles tratam de igual modo. Com o carinho que lhes dedicam os seus donos. Ajudam os cegos. Morrem quando os seus donos morrem. Até sabem antever a sua morte. São espoliados por muitos desses donos, ao partir para férias, deixam os cães nas ruas, que são maltratados, colocados em regime de indigência, mortos nas suas “pensões”, os canis. Eles [os cães] sabem muito bem quem os trata bem, por isso são solidários, mais que os homens. É de lembrar nesta Semana Grande estes animais com admiração e respeito pela sua dignidade.

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto

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