Serviço militar obrigatório

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O debate político e social sobre a reintrodução do serviço militar obrigatório em Portugal é, a meu ver, inevitável e vai surgir mais cedo do que tarde, é apenas uma questão de tempo.
O Mundo mudou, mas do ponto de vista da segurança e das ameaças à Paz, mudou para pior.

Para além das complexas teias do poder e dos equilíbrios geoestratégicos regionais, que continuam a pairar no médio oriente, alguns deles cada vez mais instáveis, tensos e potencialmente explosivos, há hoje novos focos de preocupação, como acontece, por exemplo, com o constante delírio belicista do líder norte-coreano. Um louco capaz de fazer eclodir uma guerra de consequências inimagináveis.

Acresce a estas ameaças reais, a insegurança que os povos europeus experimentam atualmente, quer pela invasão de refugiados oriundos de países muçulmanos, principalmente da Síria, como pelos recentes acontecimentos na Turquia, um Estado que hoje já não é de Direito Democrático.

Diante o panorama atual, a Europa da União que caminha a passos largos para a desunião, não terá a curto ou mesmo médio prazo, quaisquer condições para oferecer solidariedade política e militar, mesmo no quadro da NATO, no qual a Turquia passou a ser um problema e uma preocupação para os líderes políticos e para as altas chefias militares, que passaram a ter de olhar para este membro, com apreensão e imprevisibilidade.

Contar com a NATO, neste quadro de instabilidade, parece-me curto, muito curto, para um país europeu que queira defender-se das ameaças do presente ou do futuro.
Ameaças que países bem mais poderosos militarmente, como a França, a Grã Bretanha, a Espanha e a Alemanha, já começaram a cuidar de equacionar, preparando-se para o pior.

A guerra do futuro pode revelar-se sem quartel, sem rosto e sem palco certo, como aliás já aconteceu algumas vezes desde o 11 de Setembro.
Temos de ser realistas e começar a pensar quanto antes, na soberania de Portugal e na segurança dos portugueses, para não dizer mesmo, na nossa sobrevivência, enquanto Estado Nação.

Não me considero um tremendista ou um pessimista alarmado com as notícias que quotidianamente os telejornais nos levam para dentro de casa. Bem pelo contrário, procuro manter o otimismo e a serenidade, encarando a Humanidade com esperança e confiança de que a Paz e a bondade dos homens prevalecerá sobre a ganância e sobre a ânsia de poder.

No entanto, não posso confundir os meus desejos idílicos com as minhas preocupações, porque essas sim, é que têm aderência à realidade do Mundo de hoje…

Nenhuma nação ou povo, pode viver em Liberdade, em Democracia, em segurança e em Paz, se não tiver forças armadas capazes de assegurar esse bem e ser garante desses valores civilizacionais.
Ora, a natureza e dimensão das ameaças, já não se compadece com um serviço militar apenas facultativo, voluntário e profissional.

Queiramos ou não, com mais ou menos demagogia, o assunto vai estar em cima da mesa.
O nosso peso específico no computo da NATO e até uma eventual aliança político-militar de matriz Ibérica, como num certo contexto histórico chegaram a aventar Salazar e Franco, ser-nos-á mais favorável à mesa das negociações, se tivermos forças armadas com maior dimensão e mais capacidade de projeção de força em prováveis teatros de operações.

Confesso que não compreendo porque razão os nossos governantes, tão absorvidos com as performances da economia, tardam em acordar para a clarividência dos sinais dos tempos e da leitura objetiva e consciente da realidade, que já levou o governo da Alemanha a tomar medidas muito concretas, que não deviam permitir que outros governos assobiassem ou fizessem vista grossa.

Sei bem que o facto de terem morrido dois jovens militares durante o curso de comandos torna esta matéria muito ingrata e até impopular, para que possa ser trazida agora à colação. Mas o que eu espero dos políticos e principalmente dos governantes do meu país é coragem, sentido do dever e capacidade para se antecipar aos problemas e desafios da nação, encarando os desígnios coletivos da comunidade, com determinação e visão estratégica.

Quanto aos lamentáveis acontecimentos de Alcochete, que em meu entendimento não podem pôr em causa, nem a instituição militar, nem o curso de comandos, mas que devem obrigar, isso sim, a uma revisão de procedimentos de segurança dos treinos, resta-me sublinhar que todos nós, portugueses, nos devemos curvar com profundo respeito diante a memória destes dois jovens compatriotas que pereceram no cumprimento do dever e da sua missão.

Espero sinceramente que este debate político ocorra em tempo de Paz, sem fraturas ideológicas e sem agitação social, por forma a que os consensos resultem em compromissos consistentes e estáveis, que reforcem a coesão nacional, em torno de uma matéria vital, a Paz e segurança de Portugal e dos portugueses.

Victor Dias

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