Todos lá pra trás!…

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Perdoar-me-á o Pedro Abrunhosa, pela indevida utilização dos títulos das suas canções, mas de momento, é o que de melhor me ocorre para ilustrar a situação política em que Portugal está pendurado.

Passos Coelho, tendo ganho as eleições, chegou-se à frente e como lhe competia e a tradição apontava, começou a tratar de congeminar um Governo com o seu parceiro de coligação, entoando – “Tudo o que eu te dou”.

Cavaco sem perder tempo, chama Passos a Belém, e reitera o que já havia dito aos portugueses, ou seja, que não iria dar posse a uma solução de governabilidade sem uma maioria parlamentar que lhe desse garantias de estabilidade, e na tentativa de o confortar canta-lhe – “Eu e tu somos iguais”.

Entretanto, Costa chega-se também à frente, e puxa da sua “play-list”, para cantar o tema que está em primeiro lugar no seu “top five”, e começa a trautear com a sua voz encorpada – “Todos lá pra trás”…

Bom! Todos não é bem assim. Porque Costa chamou para a cantoria, Jerónimo e Catarina, contando com a afinação destas vozes que estão à sua esquerda, e ao líder do PC cantou-lhe – “Hoje tudo ou nada”, e à porta-voz do Bloco entoou-lhe – “É difícil”.

Catarina não perdeu tempo, e apressou-se a dar a Costa uma proposta de melhoria da letra da canção, e sugeriu que cantassem “Fazer o que ainda não foi feito”.

Por seu lado, Jerónimo preferiu cantar a Costa – “…nunca caiam as pontes entre nós…”.

Passos pensa em Cavaco, e só lhe vem à mente – “Não desistas de mim”.

Portas sem parar de magicar o que pode acontecer, vai cantando a Passos – “É preciso ter calma”.

Sousa Pinto, no PS, saiu da direcção nacional a cantarolar – “Voando em contramão”.

Nóvoa canta a Maria de Belém – “Hoje é o teu dia”.

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Quase esgotado o repertório do “top five” de Costa, começa já a ensaiar a próxima canção – “Entre a espada e a parede”.

Enquanto estas vozes tentam acertar um alinhamento para o programa de um elenco governativo que tarda em formar-se, Portugal, ou melhor, os portugueses, cantam a uma só voz – “Não posso mais”.

Se fizermos o exercício de analisar a nossa situação política actual, tendo como chave de análise, as letras destas canções do músico nortenho, descobriremos que há possibilidades de sentido que julgávamos improváveis, e acabaremos todos a cantar – “Socorro”.

Victor Dias

 

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