Troica à frente nas “sondagens”

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O título que dei a esta minha opinião é do domínio da ficção, contudo não deixa de ser um cenário com elevado grau de probabilidade.

O que se vislumbra no panorama político nacional, mormente ao nível da governação do país, faz temer o regresso da troica, e da rodagem da sua saga. Drama do qual ainda recentemente fomos forçados a ser protagonistas, ficando com os papéis mais duros e difíceis de representar.

No memorando que serviu de guião, o argumentista não deixou espaço para facilidades, foi como bem sabemos e sentimos, tudo dureza e cortes, muitos cortes.

Fomos governados com um programa imposto pelos credores, que na verdade é sempre quem tem a faca e o queijo na mão. E quem quer queijo, na situação em que nós estamos, tem de ter muito cuidado, para não ter de dar novamente a faca ao dono do queijo, mesmo quando já fomos capazes de pagar uma parte da dívida que contraímos com a sua compra.

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É preciso que não nos iludamos, e sejamos cuidadosos, para não acabar com o queijo que conseguimos poupar, e depois termos de voltar a viver com as regras de quem tem a faca e o queijo na mão, quer dizer, de quem nos empresta o dinheiro para o comprar.

Maioria absoluta

Desta dialética das interpretações criativas dos resultados eleitorais, que nos vai dar um governo de base parlamentar, possível e legítimo, temo como consequência um regresso do FMI, BCE e Comissão Europeia.

Quando isso acontecer, as consequências serão imprevisíveis, porque não podemos esquecer que a economia mundial está diante uma assustadora incerteza que para países como Portugal, não promete nada de bom, tanto mais que a Europa está a atravessar a maior crise da sua História recente. Uma crise em que os valores da solidariedade e os princípios da subsidiariedade estão severamente postos em causa.

Se sondarmos as opiniões dos especialistas mais reputados a nível internacional, mas também a “vox populi” que vai ecoando um pouco por todo o lado, percebe-se facilmente que a opinião pública não esconde o receio de um regresso da troica ao nosso país, mas desta vez com maioria absoluta.

A maioria absoluta que pelos vistos Francisco Assis também não deseja, aliás como a esmagadora maioria dos portugueses que não querem entrar novamente nesse filme, e dar continuidade a uma sequela que nos envergonharia a todos.

 

Victor Dias