Um fundo sem fundo

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Luanda, Angola
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1.- Agora é Angola que recorre ao FMI, Fundo Monetário Internacional. Já foi o nosso país pela segunda vez. Muitos países já também solicitaram este “auxílio”. O FMI não é um país, não é uma nação, não tem um território geográfico e se tem língua é a do dinheiro. Sem nada produzir ganha dinheiro e se pensamos que não possui um orçamento, estamos enganados. Tem um orçamento e bem meditado. Sabe o que se passa em cada país. Em cada povo. Está pronto a ir buscar dinheiro onde não exista. O que paradoxal, muito paradoxal até. Composto por 188 países, tem como estados permanentes: Estados Unidos (único acionista com poder de veto), Japão, Alemanha, França, Reino Unido, China, Rússia e Arábia Saudita. A sua organização está dividido em vinte e quatro grupos, sendo que Portugal é representado pela Itália e Angola pela Tanzânia. Reconhecido pela ONU tem por princípio desenvolver as economias dos países que necessitam e recorrem ao fundo.

2.- Os EUA com uma dívida das mais profundas é o acionista principal. Quer dizer empresta dinheiro, para ganhar dinheiro. Empresta como país sempre pronto a ir em socorro às economias débeis, mesmo que para tal se endivide. Com os outros países passa-se o mesmo, não tanto como os EUA, emprestam dinheiro, para ganharem dinheiro. Será que Portugal empresta dinheiro a Portugal?  Será que Angola vai emprestar dinheiro a Angola? As “crises” são motivadas como? Como é que os governos têm dinheiro para emprestarem tanto a outros governos? Isto é economia? Desenvolvimento do nosso pequeno planeta? O FMI não tem um rosto, certo que quem delibera é um conselho diretivo, mas os rostos que se encontram por trás não aparecem, ou não podem aparecer.

3.- Prontamente, – é para isso que existe -, sempre que um país necessita e pede, algumas semanas após tem o dinheiro, não são necessárias muitas reuniões. Chegam, impõem e emprestam ou fazem “um resgate”, isto é, condicionam os países na sua soberania. Certo, certo, é que o fundo na sua linguagem monetária sabe para onde quer ir. O objetivo é sustentar o fundo monetário, mesmo que delapidem os bolsos de uns quantos pobres e assumam a liderança de uma nação. O FMI existe porque países necessitam dele, os países emprestam aos outros países e assim sucessivamente. No entanto, existe nestes empréstimos uma soma, considerável, diga-se, que fica no fundo. Ali quem ganha com tudo isto, a não serem os poderosos, mesmo que tenham dívidas? Há uma “economia que mata”, que sobrevive à custa de outros que passam a vida a trabalhar. Será que nós, os sem poder, não devemos dizer nada?

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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