Um Golpe de asa na Turquia

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Istambul, Turquia
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Erdogan viu e controlou o golpe “falhado” a partir dos céus da Turquia.

Coisa nunca antes vista, ser “surpreendido” por uma tentativa de golpe de Estado, levantar voo e aterrar umas horas depois, para dar início a uma verdadeira caça às bruxas.

A Europa dos valores, atónita e perdida na sua falta de liderança estratégica, apressou-se a condenar o golpe e a defender a “Democracia” de Erdogan. O mesmo que horas depois, meteu na prisão milhares de magistrados, militares, polícias e civis, sob quem pende agora a ameaça da restauração da pena de morte.

Erdogan é um político que quando promete cumpre. Prometeu perseguir, prender e castigar os golpistas e, pelo andar da carruagem, parece não deixar as coisas pela metade. A acusação de que terá sido o próprio a orquestrar tudo, começa a perder o caráter de mera especulação, para ganhar cada vez mais propriedade.

Legitimidade

Na verdade, se refletirmos melhor, Erdogan conseguiu logo nas primeiras horas, conquistar uma pretensa legitimidade que parecia estar a perder. Uma legitimidade que soube pedir inteligentemente, via redes sociais, ao povo, mas que lhe chegou também de vários quadrantes do Mundo, incluindo dos Estados Unidos e de outros parceiros da NATO e da União Europeia. União Europeia que vai agora ter de congelar as negociações para a sua integração.

Depois deste golpe de asa de Erdogan, a Turquia nunca mais será a mesma e, se antes já era uma dor de cabeça para a Europa e para a Nato, agora é autenticamente um pesadelo.

Alemanha, França, Reino Unido e Estados Unidos, vão tentando emendar a mão, mas já ninguém pode apagar as precipitadas palavras que vincularam as suas diplomacias, que não tiveram o bom senso de esperar para ver, muito embora já tenham vindo a terreiro exigir respeito pelo Direito Democrático.
A Turquia é um país com demasiada importância geoestratégica para a Europa e para o Mundo, razão mais do que suficiente para que se olhe para ela com a máxima prudência e sensibilidade diplomática, considerando que na relação internacional que é preciso manter, muito para além dos interesses económicos, o que está realmente em causa, é a segurança e a Paz na Europa e no Mundo.

Estranha tolerância

Receio bem que o conceito de Democracia, de Direitos Humanos, de Liberdade e de tolerância que vai na cabeça de Erdogan, nada tem a ver como o meu e, pelos vistos, também diverge claramente dos juízes, dos chefes militares, dos altos funcionários do Estado turco e até de milhares de polícias

Temo, mas temo com fundadas razões, que Erdogan se radicalize, perca a cabeça e declare a Turquia como um estado islâmico, tornando o Mundo um lugar ainda mais perigoso e a situação política e social daquela região, ainda mais volátil…

Victor Dias

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