Faltam contentores em Vermoim

Alargamento da recolha selectiva porta-a-porta terá em conta as limitações existentes

O alargamento da recolha selectiva porta-a-porta a todo o concelho vai avançar, “em paralelo com a análise de todos os casos particulares que venham a ser identificados, designadamente os relacionados com limitações de espaço nas habitações, mobilidade dos utentes ou acessibilidade das viaturas de recolha, tal como ocorreu aquando da implementação do mesmo projecto na área da cidade”. É a garantia do director-geral da Maiambiente, Carlos Mendes, em resposta às preocupações manifestadas por José Manuel Inácio no comentário ao artigo publicado a 20 de Agosto no PRIMEIRA MÃO. O referido artigo dava conta do projecto de alargamento da recolha selectiva porta-a-porta, que a Maiambiente pretende implementar em todo o concelho nos próximos dois anos, e que obrigará à aquisição de 100 mil contentores que serão distribuídos pelas residências dos munícipes.
José Manuel Inácio reside na Avenida Vasco da Gama, em Vermoim, local onde existem habitações colectivas mais antigas, que diz não terem condições para acondicionar esses contentores. Alerta ainda para o facto de alguns moradores com idade mais avançada apresentarem algumas dificuldades no seu transporte. “Quem vive num segundo andar, sem elevador e vir escadas abaixo até a rua com um contentor é impossível. Mesmo para um jovem é muito difícil quanto mais para quem a idade já pesa. Relativamente ao acondicionamento, onde é que o posso acondicionar? Na cozinha? Na varanda que já está superlotada e ao sol para dar um melhor perfume à casa?”, questiona José Manuel Inácio. O munícipe diz ainda que, em tempos, foram distribuídos contentores, naquela zona, que acabaram por ser roubados. “Quem ainda os tem, deixa-os na rua ou na entrada onde cabem. Mas a maioria já não os tem, porque ao ficar na rua roubaram-nos”, conta.
Uma situação que obriga os moradores a colocarem o lixo doméstico em sacos plástico, em locais onde podem ser recolhidos. Mas a realidade é que nem sempre é assim. Enquanto uns colocam os sacos do lixo à porta, nos dias e horários de recolha, outros deixam os sacos no chão à volta dos contentores destinados à deposição dos materiais para reciclagem. José Manuel Inácio conta ainda que alguns moradores “já escreveram à Câmara Municipal da Maia a pedir que fosse colocado um molok para a colocação do lixo doméstico”. Na sua opinião, esta seria a solução mais adequada para os moradores daquela zona.

Situação será “avaliada”

A PRIMEIRA MÃO, o director-geral da Maiambiente, Carlos Mendes, diz que “desconhecia” as situações relatadas por José Manuel Inácio. E garante que a situação “será avaliada”. No entanto, aquele responsável reafirma que o alargamento do serviço “é um objectivo da empresa, na sequência de uma estratégia decidida há anos e que tem vindo a ser implementada com sucesso no município”. Mas adverte que, “o projecto só será implementado onde existirem condições para tal”. E no caso em que não for possível, “serão estudadas soluções alternativas que possam ir de encontro às limitações existentes”, garante. “Conhecemos casos de pessoas que moram num andar moradia ou num primeiro andar, sem condições para alojar o contentor. O que se fez nesses casos foi entregar um cesto para a pessoa colocar o lixo para mais facilmente o colocar à porta”, explica. Quanto ao facto de existirem sacos de lixo à volta dos contentores de resíduos recicláveis, uma situação que acontece em vários pontos do concelho, Carlos Mendes diz que isso acontece, “não porque não existem condições para depositar os resíduos indiferenciados, mas porque as pessoas não cumprem com as normas. Existem dias e horários de recolha, e é necessário que as pessoas se adaptem a essas regras”. Alerta ainda os munícipes para que não coloquem os contentores à porta antes do dia de recolha, para evitar que sejam roubados ou vandalizados. “Este projecto de alargamento está pensado para ser implementado ao longo de dois anos. À medida que formos avançando, vamos adaptar-nos às circunstâncias com que nos depararmos. Nos casos em que a sua implementação se torne mais difícil ou impossível, havemos de encontrar uma solução alternativa”, reforça o director-geral da Maiambiente, Carlos Mendes.

Fernanda Alves