Opinião Marco António Costa: “Não há espaço para erros”

Portugal está a um passo de se ver obrigado a recorrer à ajuda internacional para debelar a crise financeira em que está mergulhado. Depois da Grécia e da Irlanda, é para o nosso País que se viram as atenções dos observadores internacionais procurando perceber se estão criadas as condições para que, sozinhos, possamos controlar as nossas contas públicas e iniciar o caminho da recuperação da crise.
É um momento político delicado em que se exige, talvez como nunca nas últimas décadas, do Governo uma acção firme e capaz de restaurar a confiança dos mercados internacionais. Da parte do PSD fizemos o que o sentido patriótico nos exigia: viabilizámos o Orçamento do Estado para 2011 dando assim ao Governo a possibilidade de fazer aquilo que é a sua primordial tarefa, que é a de governar.

Garantida a condição fundamental da estabilidade institucional e política, cabe agora ao primeiro-ministro fazer o seu papel. José Sócrates tem que por ordem no seu Executivo, disciplinar ministros e secretários de Estado numa acção única que tenha em vista o interesse nacional. Não há Bloco Central que ou entendimento entre partidos que substitua uma acção firme e bem orientada do Governo em funções.
Aprovado o OE, o essencial é executá-lo e cumprir as metas aí definidas. A única maneira de dar confiança aos mercados é mostrar vontade e capacidade para dentro de toda a máquina do Estado impor os objectivos anunciados exteriormente. O que está em causa é a autoridade do Governo em não deixar que os dirigentes e organismos intermédios da máquina estatal interpretem à sua maneira a orientação política global e, assim, dinamitem o esforço que é pedido a todos os portugueses no discurso oficial.

E uma das condições fundamentais para que isto não aconteça é que o primeiro-ministro tenha, também ele, autoridade para uniformizar o discurso governativo, não permitindo que governantes seus venham para a comunicação social debitar ideias contraditórias sobre as opções políticas do Executivo. A delicadeza do momento e a hipersensibilidade de quem nos observa não deixa espaço a erros destes.
O PSD, entretanto, prepara-se para o inevitável ciclo político, preparando a renovação programática, chamando todos os seus militantes e também figuras da sociedade civil que muito têm contribuído para que o partido venha brevemente a dispor de um programa adaptado aos nossos tempos e de grande qualidade. José Pedro Aguiar Branco tem conduzido esta tarefa com enorme dedicação, emprestado-lhe a sua qualidade e prestígio pessoais e contam-se já em várias dezenas e por todo o País as reuniões realizadas, em que tem sido visível o entusiasmo e adesão de cidadãos independentes, bem como já se conta nas centenas as participações e sugestões programáticas apresentadas neste âmbito.

Vice-presidente da Comissão Politica Nacional do PSD