Opinião Victor Dias: Social democracia socialista

Com a pré-campanha eleitoral para as europeias já em pleno, é grande a dificuldade em apurar o que distingue, em conteúdo, Rangel de Assis. Na verdade, é como escolher uma certa marca de chocolates, tendo de optar entre cubinhos ou bolinhas, porque na sua essência, a matéria-prima e o produto final, é rigorosamente o mesmo, e tudo não passa de uma mera questão de forma.

Assis, cumprindo o seu papel, tenta ajudar Seguro, como pode, e ligar, o mais possível, as eleições, ao julgamento da política deste Governo, para obter um bom “score” eleitoral e reforçar a actual liderança do seu partido. Uma liderança cada vez mais insegura e atormentada pelas sondagens e pelos putativos candidatos à sua sucessão. Tudo será uma questão de tempo.

Assis bem insiste em apregoar que o seu chocolate é caseiro e nada tem a ver com aquele que os eurodeputados comem, o chocolate belga.

Não percebo muito bem, porque razão Rangel, e outros dirigentes do PSD, estão a cair nesta esparrela, e não se cansam de responder às alfinetadelas de Assis, de Seguro e de outros  dirigentes do PS, que de Europa têm falado muito pouco, preferindo apontar baterias à política doméstica.

PS que já avisou a navegação, interna e externa, que vinha aí, outra vez, Jorge Coelho, o tal que dizia: – “…quem se mete com o PS leva…”. Ai que medo, já ouvi dizer na maioria, ou foi mesmo no PS, nem sei bem?…

Os homens que se entendam, porque se não mudarem as suas agendas, se não se focarem nas importantíssimas questões europeias e não se empenharem em fazer uma campanha séria e esclarecedora, como exige o delicadíssimo momento que a Europa vive, podem ver registadas, em seu nome, muitas culpas no cartório da radicalização extremista do parlamento europeu.

Parlamento-Europeu1

E a missão não vai ser nada fácil, tal é o desinteresse e alheamento das pessoas, de tudo quanto cheire a política.

Espero que os candidatos a deputados europeus, todos eles, tenham consciência que se arrastarem o debate sobre a Europa, para a política nacional, vão contaminar de tal modo o ambiente político, que o resultado, ao que me parece, será o avolumar de uma abstenção, cujo significado para a Democracia será preocupante.

Bem sabemos que o que está em jogo, para quem vive embrenhado nas complexas teias aparelhísticas dos partidos, é muito mais do que ganhar ou perder um lugar em Estrasburgo. É sobretudo reforçar ou fragilizar a legitimidade interna, e em última análise, pôr em causa, ou garantir, a sua carreira política

Mas isso, a nós cidadãos, não nos interessa absolutamente nada, porventura, até nos repugna.

A Europa vive, de novo, um momento geoestratégico crítico, que exige da política e dos políticos, inteligência, entendimento ideológico, visão de futuro e, principalmente, firmeza, muita firmeza. É sobre este momento e sobre as posições políticas que os candidatos têm sobre esta matéria e sobre o futuro da Europa, que eu quero esclarecimento e debate.

Façam lá um esforço por nos ajudar a distinguir Rangel de Assis, para que não fiquemos com a ideia que eles representam, assim uma espécie de social-democracia socialista.

Era bom que não tivéssemos de escolher entre um cubinho e uma bolinha, com sabor à mesma coisa…

Victor Dias