Opinião Joaquim Armindo: Ainda as primárias

1.- A menos de uma semana das eleições primárias do Partido Socialista Português, para apurar quem deverá ser o candidato a primeiro-ministro, coloco várias interrogações sobre o processo, e a forma que sabemos tem decorrido. A ideia é boa, abrir um partido a outras pessoas, que não querem ser militantes, mas simpatizam e participam. Também não é colocar em causa a comissão eleitoral. Mas que existem na vida partidária muitos expedientes para tornar esta eleição numa fraude é uma verdade. Para quem conhece a máquina partidária bem sabe que tudo é possível. Não que o queiram os concorrentes, mas a própria estrutura reage duma forma espontânea. É inacreditável o que se passa para convencer tantos a inscreverem-se só para votar, por amizades, intrigas e caciquismo. Os próprios locais de votos servem para convencer determinados eleitores. Com o PS já se viu, quase 150 000 inscritos, o dobro dos militantes e o quádruplo dos militantes com quotas em dia, é de desconfiar e muito. Que seja uma primeira aposta na participação de cidadãos, já não é mau, isso é verdade!

2.- É inacreditável o que se passa no nosso país com jovens, e até já, nem só, que descobrem no estrangeiro a sua vida. Por falta de trabalho – diz o governo -, milhares de quadros que se formaram estão a mudar de ares. Existe falta de enfermeiros, mas eles não encontram trabalho, existe falta de engenheiros, e nos últimos três anos dois mil rumaram para outras bandas. Os cientistas são obrigados a emigrar. Quem paga as bolsas, os estudos, as qualificações, são os contribuintes portugueses; mas tudo está bem para os nossos governantes. A emigração está a atingir números que só sob o regime fascista conseguiu. Estão a desbaratar os melhores de nós todos. Realmente o governo é mesmo um (des) governo atingindo o antipatriotismo. Quando nós todos acordaremos?

enfermeiros

3.- Na terça-feira, dia 16 de setembro, palavras do bispo de Roma: “Outra expressão que se repete na Bíblia, observou o Pontífice, é «O Senhor foi tomado por uma grande compaixão». «Proximidade e compaixão: assim o Senhor visita o seu povo», afirmou Francisco. Escreve Lucas: «O morto sentou-se e começou a falar, e Jesus restituiu-o a sua mãe». Portanto, «quando Deus visita o seu povo, restitui também a esperança. Sempre!”. A propósito, o Papa comentou que «se pode anunciar a palavra de Deus brilhantemente» e «houve na história muitos pregadores excelentes: mas se os pregadores não conseguirem semear esperança, a sua pregação não serve. É vaidade”. E concluiu, pedindo «a graça de que o nosso testemunho de cristãos seja portador da visita de Deus ao seu povo, isto é, de proximidade que semeia a esperança».

Joaquim Armindo
Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto