Semana: Esperança aos mais velhos

1.- O isolamento dos mais velhos começa a ser dramático. Existem milhares de pessoas a viverem sós, sem carinho, e toda a vida trabalharam no duro. Outros possuem todas as comodidades do mundo, e, talvez não, porque o isolamento também é muito forte para aqueles que tudo têm, mas nada possuem, só uma ilusão momentânea do dinheiro. Mas falemos daqueles que lutam por um pouco de ar, sem família ou alguém que lhes possa valer, são os mais pobres dos pobres e que deram tudo para que aos senhores do dinheiro nada faltasse. Vergonhosa sentença esta de uma sociedade descartável, vivificada por tratarem as pessoas nem como resíduos, porque estes são recicláveis. Posto isto, é de louvar a iniciativa da Câmara Municipal de Mira que coloca à disposição os transportes municipais que leva os sem-nada, a passear, várias vezes por semana. Leva-os também às compras, aos serviços públicos e em passeio. Câmara com visão, sabe que aqueles que são mais idosos constituem repositórios de saber que ninguém pode ignorar. Estas são competências também dos órgãos autárquicos, muito maltratados por poderes centralistas, mas que conhecem muito bem aquilo que é um investimento, o que agrada e torna todos felizes: que os idosos não sejam louça suja, mas participantes do nosso destino comum.

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2.- Parece que Bruxelas, centro da União Europeia, estará muito preocupada porque um partido da extrema-esquerda ganha as eleições na Grécia, – nem será da extrema-esquerda, porque os seus discursos últimos, rodam-no para a esquerda. O Syriza é só uma proposta diferente das outras, com discurso próprio e na defesa das cidadãs e dos cidadãos daquele país; os partidos tradicionais fizeram tudo, menos cuidar das pessoas, agora aparece alguém com outras propostas e que ganha as eleições na Grécia. Parece que a guerra alemã feita de dinheiro e tecnologia, sem éticas, está a perder no campo de batalha; afora o cumprimento ou não do que dizem ir fazer, constituem a alternativa visível e a que os gregos deram confiança. Bem podem os poderosos estar famintos de intervenção e de guerras, mas a liberdade vai triunfar e a comunhão das pessoas também.

3.- Palavras do bispo de Roma, Francisco, em 9 de janeiro do corrente ano: “Os discípulos, lê-se no trecho litúrgico do Evangelho de Marcos (6, 45-52), «não compreenderam o milagre dos pães: os seus corações estavam endurecidos». E no entanto, explicou Francisco, «os apóstolos eram os amigos mais íntimos de Jesus. Mas não entendiam». Embora tenham assistido ao milagre, «visto que aquela multidão — mais de cinco mil — comeu com cinco pães» não compreenderam. «Por quê? Porque os seus corações estavam endurecidos». Muitas vezes Jesus «fala da dureza do coração no Evangelho», repreende o «povo de cerviz dura», chora sobre Jerusalém «que não entendeu quem Ele é». O Senhor confronta-se com essa dureza: «Jesus realizou muito trabalho, para tornar os corações mais dóceis, sem durezas, amoroso». Um «trabalho» que continua depois da ressurreição, com os discípulos de Emaús e muitos outros. Mas, pergunta «como endurece um coração? Como é possível que as pessoas que estavam sempre com Jesus, todos os dias, que o ouviam e viam… e os seus corações estavam endurecidos. Mas de que modo um coração se torna assim?». E contou: «Ontem perguntei ao meu secretário: Diz-me, como um coração endurece? E ele ajudou-me a refletir sobre isto». Eis então a indicação de uma série de circunstâncias com as quais cada um pode confrontar a própria experiência.”

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental
Mestre em Gestão da Qualidade
Diácono da Diocese do Porto