Educação de qualidade é um “desígnio estratégico”

Neste início de ano letivo, o Primeira Mão entrevista António Tiago, vice-presidente da Câmara da Maia e responsável pelo pelouro da Educação, que dá conta do envolvimento social e financeiro da autarquia nesta área.

Primeira Mão: Qual a principal linha orientadora do município quando se fala de Educação?
António Tiago: A Educação é hoje um dos principais desígnios estratégicos da governação local. Creio que não conseguiremos alcançar bons níveis de desenvolvimento humano, social e económico, se não tivermos na comunidade concelhia uma Educação e um ensino de qualidade.

Neste nosso entendimento, todo o cêntimo que é investido na Educação é um investimento estratégico no futuro. Hoje, as competências do Município em matéria de Educação, já não se resumem apenas às questões dos equipamentos e instalações escolares, área na qual temos vindo a concentrar muita da nossa atenção e investimento, por forma a proporcionar às crianças e jovens, mas também aos professores e funcionários, as melhores condições para ensinar e aprender.

Hoje, as nossas competências e responsabilidades, estendem-se também ao ensino propriamente dito e ao apoio complementar que é prestado às famílias, no sentido de as ajudar a compaginar as suas vidas profissionais, com a vida escolar dos seus filhos.

As AEC’s, por exemplo, são um importantíssimo complemento educativo, no qual a Câmara Municipal, através dos serviços do Pelouro da Educação, tem vindo a realizar um trabalho de grande qualidade que tem merecido por parte da tutela as melhores referências.

Através das AEC’s, as crianças maiatas têm acesso a atividades lúdico-expressivas, que contemplam a expressão musical, a ligação da escola com o meio e as tecnologias de informação e comunicação, vulgo TIC’s, além das atividades físicas e desportivas, às quais atribuímos uma enorme importância, considerando o impacto positivo que têm na saúde e no desenvolvimento físico, intelectual e emocional das nossas crianças e jovens.

Dedicamos toda a atenção à criação de condições que permitam às nossas crianças e às suas famílias ter acesso a um ensino de qualidade. Destaco, a título de exemplo, o facto da Câmara disponibilizar transporte municipal para alunos afetados pelo encerramento de escolas do 1º ciclo do ensino básico, cujo fecho foi determinado por decisão governamental, assegurando igualmente, transporte a todos os alunos com necessidades educativas especiais.

Sublinho ainda o conjunto de subsídios que a Câmara Municipal proporciona aos alunos e famílias maiatas. Quase 1 milhão de euros, só em apoios ao desenvolvimento da atividade escolar.

A autarquia realiza ainda as Atividades de Apoio à Família, que embora não se consubstanciem na forma de subsídio, constituem no entanto uma importante forma de apoio aos agregados familiares que necessitam dos serviços que disponibilizamos nas escolas EB1/JI do nosso concelho, para deixar os seus educandos nos estabelecimentos de ensino em horários adequados às exigências profissionais dos seus encarregados de educação.

É verdade que estes serviços são pagos pelas famílias, mas os valores são ajustados à sua condição socioeconómica. Estimamos que neste ano letivo, teremos cerca de 3000 famílias a beneficiar deste importantíssimo serviço de apoio social.

Acalento a funda convicção de que este esforço de investimento e organização, tem tido uma influência altamente positiva nos resultados que a nossa comunidade escolar concelhia tem logrado alcançar.

Resultados que estão patentes em diversos indicadores, mormente nos que nos chegam, oriundos do sistema de ensino superior, onde muitos jovens maiatos obtêm performances académicas de mérito muito assinalável.

Há uma vertente de inovação tecnológica a vários níveis na Maia, designadamente, na Educação. Qual a orientação do pelouro quanto à aposta em recursos humanos e materiais?

Mesmo antes do governo ter lançado a nível nacional as atividades de enriquecimento curricular, já a Câmara da Maia tinha a funcionar laboratórios de informática montados e assistidos pelos nossos técnicos.

Durante a vigência do projeto MaiaDigital, as escolas de todo o concelho foram nossos parceiros estratégicos, com um programa que já nessa época foi inovador e estava na vanguarda a nível nacional.

A Câmara da Maia esteve na génese do surgimento dos manuais digitais e da utilização das plataformas virtuais, de que o nosso Portal da Educação é de certo modo um exemplo paradigmático. Hoje, continuamos a dar a maior atenção à inovação, assumindo iniciativas próprias ou apoiando projetos que as nossas escolas e os professores levam a cabo.

A esse respeito, quero até sublinhar uma iniciativa a que a Câmara Municipal se associou, e na qual tive a grata satisfação de intervir, que a Escola EB 2+3 Gonçalo Mendes da Maia levou a cabo, intitulada “Encontro de inovação pedagógica SUPERTABI”. Foi um evento que me surpreendeu pela positiva, pois além de revelar que na Maia há professores empenhados e preocupados em procurar soluções pedagógicas inovadoras, demonstrou também o dinamismo da nossa comunidade educativa.

O mundo mudou e hoje podemos ter informação e conteúdos em todo o lado e a toda a hora, à simples distância de um clique, e isso muda muito a nossa vida. É preciso saber tirar o maior partido disso e encarar essas possibilidades como oportunidades positivas que podem ter muito bons resultados no ensino e na educação das novas e vindouras gerações.

Sabe, eu tenho uma perspetiva do desígnio da Educação, como uma missão inclusiva cujas responsabilidades têm de ser partilhadas, pelo Estado, pelas autarquias, pelas famílias, pelas escolas e pelos professores, mas também, é claro, pelos alunos.

Este ano a intervenção nas escolas é de elevada monta e as obras ainda continuam até ao fim do ano letivo.

Cerca de 2 milhões de euros foram dispendidos – é uma verba que conta com apoios do governo?
É, de facto, um esforço de investimento avultado que, por razões óbvias, tem de contar com a participação solidária do Estado. Na verdade, quando concluirmos todas as obras em que este esforço de investimento é despendido, o parque escolar do nosso concelho terá praticamente todas as suas valências a funcionar em pleno.

Deixo aqui uma garantia aos maiatos, de que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido na Câmara, quer pelo executivo, ao nível das decisões que têm vindo a ser tomadas nesta matéria, como pelas equipas técnicas com que contamos, com profissionais empenhados e muito dedicados que têm realizado um trabalho de excelência, são garantia de que o parque escolar terá sempre as melhores condições.

Bem sabemos que este esforço de investimento, embora possa abrandar nos próximos anos, tem de continuar, precisa continuamente de intervenções bem planeadas que assegurem a sua conservação e manutenção, para que não se degrade.

Congratula-se pelo facto de o número de alunos não ter diminuído no concelho, havendo até um ligeiro acréscimo?

Claro que sim, termos mais crianças nos bancos das escolas da nossa comunidade concelhia, significa para mim mais e melhor futuro para a Maia.

Quando, por vezes, analiso os dados demográficos publicados pelo INE e percebo que a Maia está em contraciclo com o que está a acontecer a nível nacional, só posso sorrir de satisfação. Interpreto essa realidade como um sinal muito positivo, de que as famílias maiatas têm crescido, mas também entendo que isso significa que as pessoas gostam de viver na Maia e quem cá já morava não sai, ao mesmo tempo que mais famílias demandam a Maia para viver.

Creio que essa evidência diz bem da qualidade de vida e dos índices de bem-estar que proporcionamos aos maiatos.

O ISMAI e o recém-criado Instituto Politécnico da Maia têm conseguido criar sinergias no município?

É óbvio que sim. O ISMAI tem vindo a revelar-se como uma instituição de ensino superior de excelência, quer pela qualidade do ensino superior que ministra, e que tem sido reconhecida por entidades independentes e dotadas de competência para tal, como pelas inúmeras iniciativas de pendor científico que promove e acolhe, dando desse modo um contributo ímpar, para o desenvolvimento do concelho e da região norte.

Importa sublinhar que desde a sua fundação, que a Câmara Municipal tem apoiado por todos os meios ao seu alcance e sempre que é solicitada, esta instituição que é atualmente um instituto universitário, facto que muito prestigia a Maia e os maiatos.

Mantemos com o ISMAI e com os seus órgãos diretivos, relações institucionais cordatas e pautadas por uma cooperação proactiva reciprocamente proveitosa e prestigiante.

É verdade que a recente criação do Instituto Politécnico da Maia, no âmbito do ISMAI Instituto Universitário, veio acrescentar imenso valor, à oferta formativa de nível superior, ao nível de cursos técnicos cuja empregabilidade é elevada, o que obviamente vem aumentar as possibilidades de escolha para os jovens que acabam o 12º ano.

Saliento ainda o papel que este novo instituto, IPM, tem também vindo a desempenhar, ao nível da formação para quadros técnicos e quadros dirigentes das empresas e das instituições públicas, promovendo seminários, workshops, cursos intensivos e ações de formação especializada. Creio que neste domínio, quer o ISMAI, como o IPM, têm gerado sinergias valiosas que procuramos potenciar e também usufruir.

Numa intervenção que proferiu na cerimónia de encerramento de uma ação de formação intensiva realizada em cooperação com o Instituto de Defesa Nacional, o engº Tiago deu particular relevo ao papel dos professores, porque razão intensificou esse seu enfoque?

Nos últimos anos, por variadíssimos fatores de índole social e até política, a profissão de professor foi, a meu ver, mal, muito mal mesmo, preocupantemente desqualificada do ponto de vista social. Foi tão mau, que nos habituamos a ver e a conviver com notícias de violência e agressões recorrentes contra professores. Algo impensável noutros tempos.

Nutro pela missão social e pública dos professores o maior respeito, apreço e consideração social. A missão que a sociedade confia às mulheres e homens que educam e ensinam nas nossas escolas e universidades é, no meu entendimento, a base em que se informa a cidadania e os valores fundamentais de uma civilização.

Os saberes essenciais, como ler, escrever, contar e compreender, são os professores que no-los transmitem. Assim como outros conhecimentos e valores estruturantes.

Os professores têm de ser encarados como parceiros privilegiados e imprescindíveis das famílias e das comunidades. Professores que se sintam reconhecidos, respeitados na sua dignidade pessoal e no seu estatuto profissional, sentir-se-ão por certo bem mais motivados para abraçar a profissão e cumprir a sua missão.

Por isso envio publicamente uma fraterna saudação a todos os professores que lecionam na nossa comunidade concelhia, desejando-lhes um ano de trabalho com excelentes resultados e as maiores felicidades pessoais e profissionais para todos.

Apoios às famílias:

– Auxílios Económicos (Livros e material escolar) – são apoiados todos os alunos da rede pública do 1º CEB posicionados nos escalões 1 e 2, para efeitos de atribuição de abono de família (cerca de 2000), cujo custo estimado será de 80 mil e 300 euros;

– Refeição escolar – são apoiados todos os alunos da rede pública da educação pré-escolar e do 1º CEB posicionados nos escalões 1 e 2, para efeitos de atribuição de abono de família (cerca de 2800), cujo custo estimado será de 557 mil e 600 euros;

– Subsidio para material didático, comunicações e outros equipamentos – são apoiados todos os alunos da rede pública da educação pré-escolar e do 1º CEB (cerca de 7000), cujo custo estimado será de 95 mil euros;

– Subsídio para transporte escolar – são apoiados cerca de 1000 alunos, cujo custo estimado será de 260 mil euros.

Angélica Santos