Rede de Comunidades de Leitores avançada no encontro da Maia

Encontro Nacional de Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas

O Encontro Nacional de Comunidades de Leitores de Bibliotecas Públicas, realizado no dia 22, no Fórum da Maia, foi, nas palavras dos participantes, um sucesso. O evento fica marcado “pelo  ineditismo do início de um movimento que pretende agregar as diferentes comunidades de leitores e clubes de leitura espalhados pelas bibliotecas públicas nacionais”, afirmou a organização, a cargo da Comunidade de Leitores da Maia, coordenada por Jorge Silva.
Este foi, de resto, um dos aspectos salientados durante os trabalhos do encontro e reiterado por vários dos intervenientes que encheram o pequeno auditório do Fórum da Maia.

Na Maia estiveram presentes de membros de comunidades que se deslocaram de Valença, Caminha, Vila Nova de Cerveira, Matosinhos, Vila Nova de Gaia, Figueira da Foz, Coimbra, Sertã, Almada, Loures, Montemor-o-Novo, Vila Real e Beja.

O dia era sobretudo de celebração do décimo aniversário da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Maia e, por consequência, da voz dos leitores. A tónica e o ponto de partida deste encontro era a centralidade dos leitores, e, de facto foram eles os grandes protagonistas, seja a questionarem o escritor convidado Valter Hugo Mãe, seja a responderem a perguntas provocadoras vindas da ‘troika’ constituída pelos escritores Isabel Rio Novo, Miguel Miranda e Paulo M. Morais, seja ainda a partilharem os seus modos de encarar a leitura. Ana Cristina Silva, escritora convidada para a Sessão de encerramento destacou precisamente o facto de ter sido “conferida aos leitores a possibilidade de terem voz”.

Partilha de experiências

Esta partilha de experiência assumiu importância, de acordo com Jorge Silva, por permitir “a legitimação de diferentes modelos de funcionamento, todos eles válidos”, que acrescenta que “o conceito de comunidade de leitores saiu reforçado, uma vez que – na palavra dos intervenientes –, para além da sua importância na promoção do livro e da leitura, constituem-se como espaço de socialização, de integração social e de combate à solidão, sobretudo da franja da população mais envelhecida. Assumem-se, na verdade, como verdadeiros lugares de afeto, onde as relações interpessoais assumem dominância e acabam por sobressair”.

Concluiu-se, igualmente, que sendo o livro importante impulsionador da constituição de Comunidades ou clubes de leitura, “a sua manutenção e consolidação no tempo carece de outras estratégias que passam pela implementação de atividades complementares de caráter mais lúdico, essenciais para a solidificação de vínculos afetivos”.

No final do encontro, ficou reforçada a necessidade de, após o primeiro passo dado na Maia, “os diversos clubes de leitura e comunidades de leitores existentes no país fortalecerem a sua colaboração, propondo-se a criação de uma rede”.
Em 2017, em novo encontro fica a expetativa dos participantes para a divulgação do livro escrito por Jorge Silva, dinamizador da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal da Maia, sobre a experiência dos dez anos desta comunidade de leitores, a ser publicado no próximo ano.