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PAN/Porto manifesta dúvidas sobre Centro de Saúde Animal e Humana da Maia

A Distrital do Porto do PAN – Partido Pessoas, Animais e Natureza manifestou, numa nota enviada à Agência Lusa, no passado dia 8, dúvidas sobre o Centro de Saúde Animal e Humana que vai nascer no concelho da Maia, colocando o enfoque em questões de ética no tratamento dos animais.

Em resposta escrita à Lusa, a Câmara da Maia refere que “o ICBAS é uma identidade cientificamente acreditada a nível internacional para fazer investigação”.

“Após sucessivas ausências de informação e falta de transparência nesta matéria, o PAN questionou o executivo sobre este tema tendo em conta as preocupações do partido relativamente às diretivas europeias para a garantia do bem-estar dos animais em práticas de experimentação”, refere a nota enviada à agência Lusa.

Em causa o Centro para a Saúde Humana e Animal que vai nascer na Maia, numa parceria entre a autarquia e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (ICBAS).

A apresentação pública do projeto foi feita em outubro, ocasião em que foi referido que este será o primeiro com vocação no âmbito da saúde global e que vai dispor de valências para cirurgia de cavalos.

O PAN/Porto questiona, entre outras matérias, quem são os parceiros desta iniciativa, quais os seus objetivos, qual a finalidade da investigação em animais de grande porte, de que forma a investigação vai estar relacionada com a saúde humana e a produção agropecuária, e qual o retorno deste investimento e como é assegurado o bem-estar dos animais neste centro.

Em resposta escrita enviada à Lusa, a Câmara da Maia refere que “o ICBAS é uma identidade cientificamente acreditada a nível internacional para fazer investigação e, como tal, tem de respeitar as regras do grupo europeu de ética”.

“Estamos, por isso, tranquilos que o equipamento vai ser uma mais-valia tanto para a saúde humana como para a saúde animal. A nossa perspetiva é a saúde global”, refere a autarquia liderada por António Silva Tiago (PSD/CDS-PP).

Já o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne Carvalho, em declarações à Lusa em outubro, disse que “os objetivos essenciais são destinados à investigação humana e animal, incluída num conceito de saúde global, que é um conceito transversal àquilo que é a saúde do ecossistema”.

“Não é só a saúde dos animais, não é só humana, é da vida dos oceanos, da bio-sustentabilidade. A nossa expectativa é que se traduza num benefício claro, com o conhecimento adquirido neste modelo de investigação a beneficiar não só a população em geral como o ecossistema e biodiversidade”, referiu o diretor.

O primeiro passo para a concretização deste equipamento foi dado em dezembro de 2017, com a assinatura de um protocolo entre o ICBAS e a Câmara da Maia.

A cerimónia de apresentação pública do Centro realizou-se no passado dia 22 de outubro, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Maia.

O equipamento vai ser instalado em Moreira, num terreno de 4 hectares cedido pela Câmara Municipal da Maia. António Silva Tiago, presidente da autarquia, referiu na cerimónia que o valor do investimento da Câmara é de 3 milhões de euros e que irá ainda apoiar o projeto com a isenção das taxas inerentes ao licenciamento da empreitada.
Estima-se que o futuro centro de investigação custe cerca de 2,5 milhões de euros.