,

Maquete da nova UCC da Cruz Vermelha apresentada este mês

A Cruz Vermelha Portuguesa vai apresentar no próximo dia 25 a maquete da nova Unidade de Cuidados Continuados (UCC) a construir em Águas Santas.

O projeto está aprovado e as obras podem avançar já no início de 2020. A autarquia da Maia já comparticipou o novo equipamento de Saúde com 250 mil euros, fruto de um protocolo celebrado com a Cruz Vermelha.

O investimento da entidade é de quase 2,5 milhões de euros e irá contemplar 44 camas para doentes que não podem permanecer nos hospitais regulares, como explicou em entrevista ao jornal Primeira Mão, o presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George.

A nova UCC vem colmatar uma falha na região?

Os hospitais estão preparados para atender doenças agudas. Os problemas agudos são aqueles que surgem, muitas vezes, de forma repentina. Os doentes são depois tratados e os que ficam curados têm alta. Mas o pior que pode acontecer é uma cama destinada a doentes agudos estar ocupada por um doente que tem um problema de evolução crónica, portanto, ocupa uma cama que seria muito útil para doenças agudas, nomeadamente as doenças infecciosas. Muitas delas surgem agora no período de inverno.

O conceito de cuidados continuados é de cuidados a doentes que continuam de forma prolongada, que têm que ser assegurados, mas sem ocupar camas para doentes agudos.

Por isso, foi criado este sistema de UCC devido a esta necessidade de acompanhar os doentes, que não podem estar em casa. É preciso continuar a acompanhar o doente em meio adequado, mas estas unidades não são propriamente hospitais. Trata-se de uma unidade com menos médicos e mais enfermeiros, com cuidados especializados para este tipo de doentes, em geral, com mais idade.

Qual a abrangência da UCC?

A unidade da Cruz Vermelha da Maia será um espaço de ponta, com equipamentos de última geração, muito bem gerida para garantir que as 44 camas para os doentes que precisam deste tipo de cuidados sejam úteis para a Maia e região Norte.

Temos muita experiência na Cruz Vermelha Portuguesa na gestão de equipamentos desta natureza. Alguns são exemplo modelo no país neste domínio, como é o caso da unidade em Vila Viçosa.

Para o investimento de 2,5 milhões de euros que apoios tem?

Há o apoio do município da Maia, foi assinado um protocolo nesse sentido e que foi cumprido. Não se tratou de assinar um papel e depois ignorar, pelo contrário. As partes envolvidas cumpriram todos os objetivos e agora estamos em condições de anunciar o começo da obra de recuperação de umas antigas instalações em Águas Santas.

É uma obra importante, que será um exemplo, pois será muito bem equipada e os munícipes que vivem na Maia e no Grande Porto poderão usufruir de uma unidade muito em breve para assegurar os tratamentos de quem precise destes cuidados, mas que não podem ficar num hospital para doenças agudas.

A Administração Central vai apoiar?

O Ministério da Saúde, através da ARS do Norte, assegura a comparticipação dos tratamentos a fazer nesta UCC e a Cruz Vermelha receberá esses montantes para garantir o tratamento de forma exemplar, à luz das mais exigentes boas práticas recomendadas neste domínio.

O investimento inicial fica a cargo apenas da Cruz Vermelha Portuguesa com o apoio da Câmara da Maia.

Neste caso a Cruz Vermelha está a assumir uma função do Estado na Saúde?

De certa forma, pois a Cruz Vermelha Portuguesa é uma instituição de interesse público. Não tem fins lucrativos. Não investimos na atividade privada os resultados positivos destas prestações. Se há resultado positivo, então, esse montante é sempre utilizado para fins humanitários.

Somos uma organização com mais de 150 anos, que tem como objetivo o serviço de interesse humanitário. Os nossos estatutos prevemos um trabalho que vise reduzir o sofrimento de mulheres e homens.

Exemplo desse trabalho foi recentemente o que aconteceu aquando do ciclone na Beira, Moçambique, em que um montante muito elevado foi investido para acorrer aos prejuízos na região e, em particular, para restaurar uma Maternidade e Centro de Saúde no centro da Beira.