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Unidade de Cuidados Continuados em Águas Santas incluirá apoio domiciliário

Vai custar cerca de 2,5 milhões de euros a nova Unidade de Cuidados Continuados da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), vertente de convalescença, e que vai ser construída na Rua de Timor (S. Gemil), em Águas Santas.

A nova unidade, que contemplará 44 camas, vai servir o Grande Porto e o Norte, numa iniciativa da Cruz Vermelha com o apoio da Câmara Municipal da Maia. A Unidade de Cuidados Continuados em Águas Santas incluirá apoio domiciliário e três camas exclusivas para utentes residentes no concelho.

Esta Unidade de Cuidados Continuados foi um dos projetos anunciados desde a entrada em funções do responsável pela delegação da Cruz Vermelha da Maia, José Ferreira, que agora vê a obra bem encaminhada. Prevê-se que fique pronta antes do final de 2020.

FMS Group é a empresa responsável pelo projeto e construção deste empreendimento, que ficará instalado num terreno com cerca de 4000 m2, com acessos privilegiados ao centro da Cidade da Maia (a 7,5 Kms) e à A4 (a 3 Kms).

O terreno de implantação insere-se numa envolvente habitacional com edificação de baixa cércea. O edifício devoluto, adquirido pela CVP, estava devoluto, mas encontrava-se com estrutura de betão armado e alvenaria em boas condições.

Assim, a equipa de projetistas recuperou toda a estrutura residencial, prevista anteriormente para 36 utentes, adaptando-a e complementando o projeto para uma Unidade com capacidade de 44 utentes nos Cuidados Continuados.

O projeto inclui também um Serviço de Apoio Domiciliário com entrada independente e autónoma do resto do edifício e dará apoio à comunidade.
A Unidade de Cuidados Continuados de Águas Santas irá contemplar 40 espaço de estacionamento privado e outros 13 na via pública.

O edifício contemplará ainda no piso zero áreas de: receção, direção e serviços administrativos, refeições e de atividades, medicina física e de reabilitação, área médica e de enfermagem, atendimento social, balneários e instalações sanitárias.

Nos dois pisos superiores, que são idênticos, existem as valências de alojamento: cada quarto com instalação sanitária privativa – são dois quartos individuais, sete duplos e dois triplos.

“Bom modelo de colaboração”, afirma Francisco George

Francisco George, presidente da CVP, esteve presente na apresentação do projeto da nova unidade no concelho da Maia, referindo que esta cooperação entre o núcleo da Cruz Vermelha da Maia, liderado por José Ferreira, e a Câmara da Maia, liderada por Silva Tiago, “é um exemplo bom modelo de colaboração, não só na Maia, como a nível nacional”.

E só devido a esta parceria, que tem “funcionado muito bem”, frisou Francisco George, é que foi possível proceder à aquisição do espaço e partir para a construção desta Unidade de Cuidados Continuados, na vertente de convalescença.

Este tipo de cuidados especializados a utentes que já não podem permanecer nos hospitais para doentes agudos, tratando-se de uma grande necessidade, aliás, apontou o presidente da CVP, o ideal seria “multiplicar este tipo de unidades em todo o país”.

Gestão do equipamento será da Cruz Vermelha

A gestão do equipamento estará a cargo da Cruz Vermelha, que tem “o conhecimento ou know-how de gerir com qualidade este género de equipamentos”. Um exemplo apontado de outra unidade inovadora no Grande Porto, referiu Francisco George, é a que a CVP “acaba de inaugurar em Vila Nova de Gaia, destinada a doentes com demência”.

Para essa construção foi aproveitado o antigo hotel, onde residiu o Engº Edgar Cardoso, que projetou a Ponte da Arrábida, no Porto. A “unidade com grande qualidade ainda não está em pleno funcionamento, mas já iniciou as suas atividades no âmbito da prevenção e tratamento de doentes com demência e suas famílias”, declarou Francisco George.

Maia garante três camas exclusivas para doentes do concelho

Como contrapartida do apoio da Câmara da Maia, o concelho vai ter em exclusivo três camas para uso de seus residentes, que necessitem deste tipo de tratamentos de longa duração.

Emília Santos, vereadora com o pelouro da Saúde, frisou que, “no Grande Porto, existem apenas três unidades de Cuidados Continuados, com a vertente de convalescença: no Marco de Canaveses, Paredes e Póvoa de Varzim. Isto significa que no anel do Porto não existe qualquer equipamento”.

Emília Santos explica ainda que, neste momento, em termos de Administração Regional de Saúde do Norte, apenas existem duas vagas: em Macedo de Cavaleiros e Mirandela. Ora, “na semana passada, houve um caso de um utente de Moreira que precisou do serviço desta unidade de convalescença e teve que ir para Valençla, porque no Porto não havia vaga”.

A autarca sublinha, por isso, que a “realidade é que as famílias sentem-se arrastadas com o doente para sítios longínquos e, quando os querem acompanhar de perto, veem-se obrigadas a arrendar um hotel ou outro tipo de habitação, o que constitui um problema para todas as famílias”.

O facto de existirem salvaguardadas três vagas para utentes maiatos vem colmatar de alguma forma estas lacunas. “O protocolo entre a Segurança Social e a ARS faz com que estas camas custem 3600 euros/mês por cada doente, que poderá então usufruir da vaga a custo zero”, explicou Emília Santos, que justificou que esta foi uma das contrapartidas conseguidas pela Câmara da Maia ao conceder o apoio ao projeto de cerca de 250 mil euros.

Apoio do município poderá atingir meio milhão de euros

Mas o apoio poderá ainda estender-se até cerca de meio milhão de euros, adiantou o presidente da Câmara da Maia em declarações à Comunicação Social.

Silva Tiago explicou que o município já comparticipou com 250 mil euros a compra do espaço para a unidade, mas também isenta a Cruz Vermelha do pagamento de taxas e licenças relativas à empreitada, podendo ainda no futuro vir a conceder mais alguma comparticipação na edificação. “Ainda não está completamente definido, mas a Câmara poderá assumir neste equipamento qualquer coisa como 500 mil euros”, afirmou o presidente da Câmara da Maia.

Angélica Santos