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Braima Dabó do Maia AC venceu prémio internacional de Fair Play

Braima Dabó, atleta guineense de 26 anos a residir e a competir em Portugal, representando o Maia Atlético Clube, venceu o prémio Fair-Play da IAAF (International Association of Athletics Federations).

No dia 23, Braima foi à Gala de entrega de prémios da IAAF, no Mónaco, e reencontrou o atleta que ajudou nos Mundiais de Atletismo, Jonathan Burby, de Aruba.

A imagem de Braima Dabó, atleta da Guiné-Bissau, que em Portugal é orientado por José Regalo, a carregar, na eliminatória dos 5000 metros dos Campeonatos do Mundo de Atletismo, que decorreram em Doha, no Qatar, Jonathan Busby, que entrou em falência nos últimos 200 metros, correu o mundo. O gesto de Dabó foi elogiado por todos e apontado como um exemplo de Fair Play.

Foi exatamente por esse motivo que o atleta da Guiné-Bissau recebeu o prémio Fair Play da IAAF, no último dia 23 de novembro, no Mónaco. 

Braima Dabó, durante a Gala, disse estar “naturalmente orgulhoso” pela distinção e sobre a sua atitude para com o colega nos mundiais, apesar de, como sublinhou, “foi uma coisa normal. Para mim, é perfeitamente normal, qualquer um que estivesse naquela posição iria ajudá-lo.”

Já tinha admitido esta faceta altruísta do seu caráter em entrevista ao Maia Primeira Mão, quando havia sido nomeado para este galardão.

Recordamos que Braima Dabó veio para Portugal com o objetivo de estudar e obter a equivalência ao 12º ano, depois de realizar o exame nacional do 9º ano, no seu país. Inscreveu-se numa bolsa de uma Organização Não Governamental – Rota dos Povos – e instalou-se na casa de uma família de acolhimento em Mirandela.

Veio com 18 anos sozinho para outro país, acabando por prosseguir os estudos para a licenciatura em Gestão no Instituto Politécnico de Bragança.

Com uma personalidade cativante, notória pelo sorriso sem fronteiras, Braima fez novos amigos, construiu uma grande família com ramificações à Cidade da Maia.

Na edição de 8 de novembro, o jovem explicou que treina “à distância” deslocando-se, “sempre que possível à Maia para estar mais próximo do treinador”. José Regalo admite que não é uma situação fácil, até porque o jovem está numa zona onde o Atletismo não tem grandes tradições.

Segundo o técnico, “o Braima faz o possível, temos que planear bem os treinos”. O técnico considera que Braima pode ainda progredir e explorar o seu potencial, mas o mais importante é que teve oportunidade, no Mundial, de “representar o seu país”.