ARS quer juntar Agrupamentos de Centros de Saúde da Maia e Valongo

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A Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte quer a fusão dos Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) dos concelhos da Maia e de Valongo. Nesse sentido, no final do mês de Abril enviou um projecto de portaria aos dois municípios para que se pronunciassem sobre o assunto, no prazo de cinco dias. O presidente da Câmara da Maia teme a queda na qualidade de serviço prestado à população. O vice-presidente da Câmara de Valongo não gostou da presunção de Bragança Fernandes.

O presidente da Câmara Municipal da Maia discorda dessa ideia. Bragança Fernandes considera que tentar juntar os dois concelhos para “poupar uns tostões” é uma “má” gestão. “Nós temos 135 mil habitantes, dos quais praticamente todos têm médico de família dado o grande investimento que a autarquia fez na área da saúde. Cedemos uma série de terrenos à ARS, ajudamos a construir ou cedemos o direito de superfície numa série deles, por exemplo, o de Pedrouços, o de Águas Santas, o do Castelo, o da Maia”.

O autarca não considera viável juntar 130 mil utentes da Maia com os mais de 100 mil de Valongo, formando um único ACES. “É tecnicamente impossível gerir este mega agrupamento, o que não acontece em lado nenhum”. A título de exemplo o autarca da Maia aponta o Porto que tem dois agrupamentos. “Tecnicamente é impossível um único executivo estar a gerir uma área tão grande. Repare que Sobrado fica a mais de 12 do centro da Maia e já viu o que era a equipa andar distribuída por uma área tão grande. Geograficamente são concelhos distintos”, acrescentou Bragança Fernandes.

O edil da Maia afirma ainda ter receio que a população da Maia saia prejudicada com esta união. “Enquanto neste momento está tudo bem em termos de qualidade de saúde, temos médicos e enfermeiros e eu não admito que depois médicos e enfermeiros saiam da Maia para outros concelhos onde porventura não foram colocados médicos, ou não tenham unidades de saúde”

Bragança Fernandes aconselha a ARS a pensar no assunto e a “manter tudo como está”.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Valongo não gostou “da presunção” das declarações do autarca da Maia. João Paulo Baltazar aproveitou para recordar a Bragança Fernandes que Valongo, hoje em dia, tem um serviço de saúde “de qualidade muito, muito acima da média” e que teve a primeira unidade de saúde do país certificada internacionalmente. Aliás, “hoje (quarta-feira) está a decorrer mais uma auditoria para a renovação da certificação internacional da USF de Valongo. A USF de Valongo foi a primeira do país a ser certificada internacionalmente. Portanto, no que a isto diz respeito, aproveito para dizer que, se alguém tiver que se juntar com Valongo decididamente não sairá a perder”, justifica o autarca.

A Câmara de Valongo já respondeu à Administração Regional de Saúde do Norte pedindo a fundamentação do projecto. João Paulo Baltazar recorda que a portaria é um documento jurídico, por isso, a única forma de a câmara se pronunciar sobre o assunto é “depois de conhecer a sustentação” da portaria. Só depois se poderá pronunciar, afirma.