Assembleia municipal fechou ciclo de visitas com passagem pelas ETAR do concelho

0
125

A Assembleia Municipal da Maia realizou, no passado sábado, a sua última visita temática, este ano, ao concelho da Maia. “Qualidade de Vida – Equipamentos de Águas e Saneamento do Município” foi o tema escolhido para esta visita, talvez, a que teve o maior número de deputados presentes. Este era, para Luciano Gomes, presidente da Assembleia Municipal, um dos temas que ainda não tinha sido abordado. “Todas as visitas que fizemos e dos temas que escolhemos, nenhum deles tinha coincidido com este tema. Já tivemos o ambiente, mas ainda não tínhamos o saneamento básico”, justificou.

O objectivo foi dar a conhecer a realidade existente no que se refere à rede de abastecimento de água e tratamento das águas residuais. “Houve algumas transformações ao longo dos últimos quatro, três anos, que importava que as pessoas conhecessem como complemento da rede de água, alterações que se fizeram nalguns reservatórios e aumento da nossa capacidade, o possibilitar estarmos a receber água quer da Águas do Cávado quer das Águas do Douro e Paiva”, sublinhou Luciano Gomes.

O primeiro ponto de paragem dos deputados foi o Reservatório do Monte Faro, em Gemunde. Seguiu-se a inauguração “simbólica” e visita à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Cambados, em Vila Nova da Telha, a ETAR de Moreira e ETAR de Parada, em Águas Santas. Depois de almoço, os deputados tiveram ainda a oportunidade de participar numa palestra sobre “O contributo dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento na qualidade de vida dos cidadãos”, na Casa do Arco, em Milheirós, finalizando desta forma, a visita dos deputados da Assembleia Municipal da Maia. Dar a conhecer o que se tem feito em matéria de saneamento e tratamento das águas residuais foi outro dos objectivos, sendo que a ETAR de Cambados assume um particular destaque. É que a estação foi alvo de uma ampliação que permitiu alargar a sua capacidade de resposta e com a tecnologia mais avançada. “Acho que valia a pena vir aqui, para que as pessoas tivessem a noção de que o concelho está a ser tratado como devia, porque, anteriormente, a estação de Cambados que já tinha vinte e tal anos já não estava a responder aquilo que era necessário”. Por isso, Luciano Gomes considerou que, para encerrar este ciclo de visitas, o tema do saneamento básico seria importante. Não com o intuito de fazer da visita um “acto político”, mas sim, “um acto de valorização e reconhecimento da Assembleia Municipal”. E quanto aos ausentes, Luciano Gomes diz que, “perderam uma grande oportunidade de ficarem a conhecer a realidade”.

ETAR de Cambados

Apesar de só agora ter sido inaugurada de forma simbólica, como fez questão de referir o presidente da câmara, Bragança Fernandes, a ampliação da estação de Cambados foi concluída no início de 2006. Um investimento de aproximadamente três milhões de euros, “praticamente suportados pela câmara municipal”. A ampliação veio duplicar a capacidade de tratamento da estação, a primeira a entrar em funcionamento na Área Metropolitana do Porto, em 1985. Serve as freguesias de Gemunde, Moreira e Vila Nova da Telha. Antes da intervenção, a estação tinha uma capacidade de tratamento de 990 metros cúbicos (m3) por dia de águas residuais produzidas por 10 mil habitantes. Com a ampliação, sendo que da “velha ETAR” restou apenas o edifício que servia de laboratório, passou a ter a capacidade de tratar sete mil m3 de esgotos, por dia, equivalendo a 26 mil habitantes.

Bragança Fernandes congratulou-se pelo facto do concelho dispor de três Estações de Tratamento de Águas Residuais que funcionam em pleno, contribuindo desta forma para uma melhoria do ambiente e qualidade de vida dos munícipes.

Nesta estação foram implementadas “tecnologias mais modernas”. “Enquanto nas outras duas temos decantação primária (processo mais longo que separa da água o material sólido insolúvel), arejamento e decantação secundária (sedimentos que ficam depositados no fundo do tanque), nesta ETAR não há decantação primária. A decantação primária é feita nos tanques de arejamento, reactores biológicos”, explicou o director-delegado dos SMAS da Maia. Uma “inovação” que permite atingir um nível de depuração na ordem dos “98 por cento”. Outro dos aspectos que diferencia a estação das outras duas, é que enquanto que em Parada e Ponte de Moreira, “nos reactores biológicos, o oxigénio fornecido às bactérias, que têm como função transformar a matéria orgânica em matéria mineral, é fornecido através de arejadores de superfície, na estação de Cambados o oxigénio é insuflado na parte inferior da massa líquida”. Albertino Silva salientou ainda o facto de a estação não emitir qualquer mau cheiro, sinal de que o tratamento está a funcionar.

Reservatório de Monte Faro

O reservatório de Monte Faro está ligado ao reservatório de Moreira. São os dois únicos abastecidos pela Águas do Cávado, fornecendo a água aos consumidores das freguesias de Moreira e Gemunde. Ao todo, são oito os reservatórios de águas existentes no concelho. Nomeadamente, Pedrouços; Nogueira 1; Moreira; Paço; Rio; Monte Faro; Quintã; e Nogueira 2. O de Monte Faro dispõe de duas células de água e possui uma capacidade de armazenamento de sete mil m3. O de Moreira tem três células, cada uma delas com dois mil m3 de capacidade. “Estão sempre cheios. Se houver algum problema no abastecimento de água em alta temos, nesta zona, água para três, quatro dias de reserva. Se for nas zonas servidas pela Águas do Douro e Paiva temos para dois a três dias”, referiu o director delegado dos SMAS da Maia.

Albertino Silva salientou ainda a “versatilidade” do sistema implementado no território da Maia, que permite por exemplo, caso ocorra algum problema, grave, no abastecimento proveniente da Águas do Cávado, mudar para a rede servida pela Águas do Douro e Paiva. E garantiu ainda o bom estado de conservação dos reservatórios do concelho, que garantem o fornecimento de água com qualidade junto do consumidor. Por dia, são gastos na Maia 25 a 28 mil m3 de água.

Fernanda Alves