Bagão Félix e o deplorável estado de Portugal

0
253

Bagão Félix proferiu no Clube dos Pensadores (CdP), recentemente, uma lição sobre as grandes questões do nosso tempo, centradas nos comportamentos da economia e da sociedade onde a ética está pelas ruas da amargura e sobra uma sociedade sem valores.

Depois da apresentação do convidado, por Joaquim Jorge, que enalteceu as qualidades do convidado, Bagão Félix esmiuçou sob o ponto de vista económico e demográfico a evolução de um conjunto apreciável de indicadores que justificam o “estado deplorável” em que se encontra Portugal e a génese da crise.

Começando pelo PIB, mostrou a persistente queda deste indicador, década após década. Com efeito, na década de 60 o país crescia, em média, 7,5 por cento ao ano, passando na década seguinte para cerca de 5% e sempre a descer até chegar à última década com uma média de crescimento de apenas 0,4%. Em contrapartida, as dívidas pública e externa têm experimentado crescimentos significativos, a ponto de Portugal ser hoje o 5º país mais endividado do mundo.

Enquanto o PIB cresce 20%, a dívida no mesmo período cresce 100%. Porém, Bagão Félix chama a atenção para o trágico da situação portuguesa que contrai dívida não para o crescimento, mas para se tornar mais pobre.

Outro aspeto da maior importância é a evolução da demografia portuguesa, que arrasta o país para o limbo do precipício, porque depois de 1990 a quebra na natalidade é tal que deixou de haver a reposição geracional. Por outro lado, garças à melhoria das condições de vida, a mortalidade infantil é residual e a esperança de vida dos portugueses aumentou muito, mas que não atenuam a fraca natalidade e introduz, por outro lado, maior pressão sobre a saúde financeira do setor da segurança social.

De facto, enquanto em 1974 havia cerca de 5,6 trabalhadores activos para cada pensionista, hoje é de cerca de 1,9 trabalhadores para cada pensionista, que põe em risco a sustentabilidade do sistema de reformas dos trabalhadores portugueses, se nada for feito.
Conjugando todos os factores, só resta a Portugal a via da maior produtividade e, por isso, trabalhar e trabalhar.

A rematar a lição, Bagão Félix traçou o diagnóstico da crise que assola o mundo e apontou para a falta de ética na economia, na política e nas relações sociais. Há uma desvalorização dos valores éticos que Homens generosos como Ghandi, Mandela, Luther King e tantos outros, abraçaram.