Bloco de Esquerda dá nota positiva aos cuidados de saúde no concelho

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O deputado eleito pelo círculo do Porto do Bloco de Esquerda, João Semedo, esteve de visita às instalações das Unidades de Saúde Familiar Odisseia e Pirâmides, na Avenida Luís de Camões, na Maia. Acompanhado de Silvestre Pereira, deputado eleito para a Assembleia Municipal da Maia, João Semedo esteve reunido com a directora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde da Maia, Luísa Fontes. O objectivo era conhecer a evolução da prestação dos cuidados de saúde no município.

No final, o deputado reconhecia a evolução positiva do concelho, nos últimos anos, em matéria de saúde. Uma realidade bem diferente do que acontece no resto do país. “O que vi não é, infelizmente, o panorama geral do país. Há grandes progressos na rede de cuidados primários no concelho, não apenas no domínio das instalações, mas também dos recursos humanos e na capacidade de dar uma resposta melhor, diferente, mais pronta”, sublinhou. Condições que contribuíram para uma redução substancial do número de utentes sem médico de família. “Aqui há uns anos o número era muito elevado. Hoje é praticamente residual o número de utentes que não tem médico de família. Mil, mil e trezentos, é um problema que a própria dinâmica do centro de saúde irá resolver”, acrescentou.

As duas unidades de saúde estão instaladas num edifício que foi projectado pela Câmara Municipal da Maia e que se destinava à Casa do Desporto. Um destino que acabou por não se concretizar.

No primeiro piso, encontra-se a USF Pirâmides que entrou em funcionamento em Julho do ano passado. A abertura da nova unidade permitiu dar médico de família a 8400 utentes que se encontravam a descoberto. Actualmente, presta cuidados de saúde primários a 12 mil utentes.

No segundo piso, a funcionar desde 2008 está a Unidade de Saúde Familiar Odisseia, que presta cuidados de saúde a 14800 utentes.

Nas instalações da Santa Casa da Misericórdia da Maia, onde funciona o SASU- Serviço de Atendimento a Situações Urgentes, permanecem sob o sistema de funcionamento antigo, 4050 utentes.

Reforçando a ideia de que não é “muito vulgar” encontrar no resto do país um “panorama” como o da Maia, João Semedo manifestou o desejo de que as políticas de redução de investimento nos serviços públicos previstos no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) não “perturbem” ou “condicionem” esta evolução. “Para que não só a mudança nos cuidados de saúde primários continue e se consolide, e sobretudo para evitar que se volte ao tempo antigo em que era muito difícil encontrar um médico de família”, considerou.

Na Maia a evolução tem sido positiva, apesar de ainda existirem alguns pontos a melhorar, como o aumento do número de enfermeiros e o alargamento do serviço de cuidados domiciliários e continuados. “Isso é uma resposta que não depende exclusivamente do centro de saúde. Depende também da política do Governo, do Ministério da Saúde, apoiar e incentivar, porque percebemos claramente que neste centro de saúde há muita predisposição para colaborar”, salientou.

João Semedo vê, assim, de forma positiva a realidade do concelho da Maia, em termos de prestação de cuidados de saúde. “Nas minhas funções de deputado, já visitei muitos centros de saúde, e não encontrei muitos com a mesma qualidade de prestação, de resolução de problemas e capacidade de responder”. O deputado considera que é possível um melhor Serviço Nacional de Saúde, desde que haja “vontade política”.

UCSP de Águas Santas

Os bloquistas passaram ainda pela Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Águas Santas, onde permanecem 3470 utentes sem médico de família. Utentes que estão aos cuidados de dois médicos. De acordo com Silvestre Pereira, deputado do BE na Assembleia Municipal da Maia, os profissionais ao serviço daquela UCSP sentem-se “marginalizados” com a diferença de procedimentos entre os dois sistemas. E por isso, “menos motivados”. Nas USF os médicos são remunerados de acordo com o número de consultas e serviços domiciliários efectuados. Nas UCSP, o mesmo já não acontece. No entanto, “a qualidade do serviço que prestam é a mesma, e os objectivos são cumpridos”, referiu Silvestre Pereira. Diz o deputado que, estamos perante um serviço de saúde que trabalha a “duas velocidades”.

Fernanda Alves

2 COMENTÁRIOS

  1. Bastante desiquilibrada, a exposição que é dada a cada uma das duas visitas.
    Não é referida a sobrecarga dos médicos nem outros problemas existentes no Centro de Saúde de Águas Santas.

  2. Obrigada pelo seu comentário. Cumpre-nos esclarecer que o convite ao jornal Primeira Mão foi feito para as visitas às unidades de saúde familiares Odisseia e Pirâmide, não estando decidido na altura se os elementos do Bloco de Esquerda iriam, ou não, a Águas Santas. Daí que não tenhamos acompanhado essa parte da visita, citando apenas as declarações de Silvestre Pereira a propósito da mesma.

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