Bloco de Esquerda defende requalificação do bairro do Sobreiro

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O Deputado do Bloco de Esquerda (BE) eleito pelo círculo do Porto, José Soeiro, passou pelo Bairro do Sobreiro, na Maia, no passado sábado, a convite da Comissão Política Concelhia.
O deputado e o presidente da concelhia, Silvestre Pereira, além de outros elementos da distrital e juventude do BE, estiveram reunidos com a Associação de Moradores do Sobreiro para, mais uma vez, fazer o ponto de situação dos muitos problemas que afligem os seus habitantes.
O assunto já tem sido abordado pela concelhia do BE nas reuniões da Assembleia Municipal. Desta vez, “procuramos dar a conhecer este problema ao BE nacional e, por isso, convidamos o deputado José Soeiro”, justificou Silvestre Pereira.

E mais uma vez, os moradores elencaram os vários problemas do bairro com mais de 30 anos, e que nunca foi alvo de qualquer requalificação. Há várias habitações com fissuras nas paredes e nos tectos – alguns pedaços já começaram a cair, infiltrações e telhados degradados. Em casa de Teresa Macedo chove na sala, tendo que colocar bacias para aparar a água. O mesmo acontece em casa de Filomena Costa, no quarto do filho.

No bairro, que até há pouco tempo a Câmara da Maia queria demolir, para dar lugar a uma nova centralidade dotada de parque urbano, comércio, serviços, e zonas de habitação de qualidade, moram ainda cerca de 540 famílias. Com a desistência de um dos principais investidores da Praça Maior, o grupo espanhol Miguel Rico e Associados, a autarquia teve de rever os planos de intervenção para aquela zona. E optou por desistir, pelo menos para já, da demolição de alguns dos blocos e torres, investindo na sua requalificação. Para o efeito, concorreu a fundos do QREN e do Prohabita, para uma obra orçada em mais de 10 milhões de euros.

José Abreu, presidente da Associação de Moradores do Sobreiro, diz que é urgente a Câmara da Maia cumprir a promessa de obras de requalificação, que estavam previstas para começar em Março passado. “As portas estão todas estragadas, as pinturas das casas já não existem, há muitas fissuras à vista. Notamos de dia para dia os blocos a ceder. Eu moro num rés-do-chão e tenho medo de viver aqui. De Inverno é água por todo o lado, vento e frio. De Verão é um calor insuportável”, alerta o presidente da associação de moradores.
Até agora, foram realizadas “pequenas intervenções” em algumas habitações. E de acordo com José Abreu, foi recuperado apenas um bloco, o número 26. O telhado foi substituído por placas térmicas e as grades da marquise, que antes eram de cimento, deram lugar a grades de ferro. “As obras que fizeram no 26, deviam fazer em todas. Ficou impecável”, sublinhou.
Os elementos da associação denunciaram ainda a ocupação indevida de habitações por famílias de etnia cigana, cujos hábitos acabam por “assustar” os restantes moradores.

Câmara “dá o pior exemplo”

Depois de uma breve visita ao bairro, o deputado do Bloco de Esquerda, José Soeiro considerou que a Câmara da Maia “dá o pior exemplo” ao deixar abandonadas e vandalizadas as lojas que são sua propriedade. E mostrou-se impressionado com o estado de degradação em que se encontram os edifícios de habitação. “As lojas mais degradadas são as que são da responsabilidade da câmara. O que significa que não só há desprezo pelas condições de vida destas pessoas, como parece haver uma estratégia de degradar propositadamente este bairro, porque fica numa zona central e abre outras perspectivas de negócio. Vimos aqui dizer que estas pessoas têm o direito de viver aqui com condições”, salientou José Soeiro. O deputado do Bloco de Esquerda defende a recuperação do bairro, e garantiu que o seu partido irá insistir, junto do Governo, no reforço das verbas para a requalificação urbana. “O direito à habitação é um dos direitos fundamentais das pessoas”, advertiu.

A reunião aconteceu numa altura em que se encontrava em discussão o Orçamento de Estado para 2011, que José Soeiro considerou “penalizador” em termos do investimento público e apoios sociais. “É um orçamento que prevê reduções significativas em termos de reabilitação urbana e nas transferências para as autarquias. Por isso mesmo se prevê que venha a agravar as condições de vida das pessoas, sobretudo as mais pobres, as desempregadas”.

Fernanda Alves