Bloco de Esquerda quer alargamento de critérios para Subsídio de Desemprego

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O Bloco de Esquerda (BE) está a levar a cabo uma campanha de âmbito nacional de recolha de assinaturas para levar o Governo a discutir, na Assembleia da República, o alargamento dos critérios de atribuição do subsídio de desemprego, que considera ser o “principal problema” social do país. A acção vai decorrer nos próximos meses e na segunda-feira os bloquistas da Maia, acompanhados pelo deputado da Assembleia da República, João Semedo, estiveram junto à estação do metro Fórum da Maia, a recolher assinaturas para petição.

De acordo com João Semedo as taxas de desemprego “não param” de subir e no concelho da Maia aproximam-se “dos dez mil desempregados”. “No ano passado, o desemprego subiu 22 por cento, é um número muito significativo e o que sucede é que a avareza social do Governo impede que cerca de 300 mil, dos mais de 700 mil desempregados, portanto, praticamente metade dos desempregados, não reúnem as condições impostas por este Governo e pela lei para ter subsídio de desemprego ou qualquer outro apoio social”, afirmou.

No fundo, acrescenta o deputado do BE, “estamos a falar de centenas de milhares de portugueses e portuguesas que estão na antecâmara da pobreza”. Afirma ainda que o Governo se mantém “insensível”, e prova disso, ressalva, é que acabou de aprovar um orçamento que não contempla o alargamento dos critérios para o subsídio de desemprego. Aliás, “essa foi uma das razões que levou o BE a votar contra este Orçamento de Estado. Portanto, nós julgamos que esta é uma disputa que nós não podemos abandonar, nós vamos insistir o tempo que for necessário e as vezes que forem necessárias para fazer o Governo recuar e para convencer o Governo que os mais elementares valores da justiça e da igualdade social impõem o alargamento do subsídio de desemprego”, justifica.

A proposta do BE é que o subsídio seja atribuído a quem, nos últimos 12 meses, trabalhou seis meses e descontou seis meses. “É que estamos a falar de pessoas destes 300 mil portugueses que descontaram, fizeram os seus descontos e na hora mais difícil das suas vidas é natural que reclamem que o Estado e o Governo olhe por elas e abra os cordões à bolsa e alargue os critérios de atribuição do subsídio de desemprego”.

Ainda não existe um prazo definido para terminar a campanha. Certo é que estar nas ruas nos próximos meses. Vai prolongar-se até dar resultados. O objectivo é angariar “muitos milhares” de assinaturas porque estamos convencidos que mais tarde ou mais cedo a própria degradação da situação social irá obrigar o Governo a alargar o critério dos subsídios de desemprego”, disse.

Estiveram esta segunda-feira na Maia e João Semedo promete voltar mais vezes ao concelho e a outros locais fora do centro, à semelhança do que vão fazer por todo o país. “Vamos fazendo bancas nas praças das cidades, nas ruas mais movimentadas, à portas das empresas, junto aos centros comerciais, um pouco por todo o lado”.

João Semedo afirma que o que pretendem é que a campanha ajude a adquirir consciência social junto da opinião pública para forçar o Governo a “abrir os cordões à bolsa”. “Um Governo que é tão ágil a correr a ajudar bancos falidos e banqueiros em dificuldade, deveria ser tão ágil e tão pronto a ajudar as pessoas que, de facto, foram privadas, por causa da crise que afectou o país, do seu posto de trabalho e perdendo o seu emprego perdem também as condições de sobrevivência e de alimentação do seu agregado familiar, de educação dos seus filhos. Portanto, é uma situação dramática para mais de 300 mil portugueses”, defende João Semedo.

Até agora a adesão da população tem sido “muito boa”, o que leva o deputado a afirmar que “só” o Governo é que não vê que o “principal problema” do país é o desemprego. “Eu julgo que há entre todos os portugueses e portuguesas um sentimento de grande solidariedade para com aqueles que perderam o seu emprego, até porque todos nós pressentimos que hoje foram estes e amanhã poderemos ser nós e isto é uma manifestação de solidariedade na base da consciência social de todos nós sobre a importância que há de ajudar as pessoas num momento tão difícil das suas vidas”, sublinha.

Isabel Fernandes Moreira

CAIXA

Taxa nos 10 por cento

O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou, quarta-feira, que a taxa de desemprego estimada para o quarto trimestre de 2009 foi de 10,1%. Este valor é superior ao observado no período homólogo de 2008 em 2,3 pontos percentuais e ao registado no trimestre anterior em 0,3%. A população desempregada foi estimada em 563 mil pessoas.

Em média, em 2009, a taxa de desemprego foi de 9,5%, o que se traduziu por um acréscimo de 1,9% face ao ano anterior.

O Norte continua a ser a região do país com mais desempregados, 11,9 por cento, contra os 11,8% do Algarve.