Central de Valorização Energética da Lipor comemora 20 anos

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Nos últimos 20 anos foram produzidos, nos municípios associados da Lipor, mais de 7.700.000 de toneladas de resíduos. Dado avançado a propósito do 20º aniversário da Central de Valorização Energética da Lipor, assinalado no dia 3 de março, nas instalações da unidade localizadas na Maia, freguesia de Moreira.

Para acomodar todo este lixo seriam necessários três aterros. Milhares de hectares de terreno teriam sido inutilizados tendo em conta esta necessidade. E todos estes recursos seriam desperdiçados sem qualquer tipo de aproveitamento. 

Há 20 anos, a Lipor apostou numa tecnologia diferente de modo a aproveitar o máximo potencial dos resíduos e avançou com um projeto inovador, a Central de Valorização Energética, produzindo energia que diariamente permite abastecer uma cidade.

A empresa intermunicipal continua a trabalhar para que cada vez menos resíduos acabem em aterros e para que cada vez mais os resíduos sejam um recurso, potenciando e promovendo a Economia Circular também na Gestão de Resíduos.

O presidente da Câmara da Maia, António Silva Tiago, foi um dos principais intervenientes na cerimónia, como município anfitrião. Na ocasião foi descerrada a placa da Memória desta data a figurar nas instalações da Central, na presença de Silva Tiago e Aires Pereira, presidente do CA da Lipor.

Silva Tiago fez questão de oferecer a Aires Pereira o troféu desenhado por Siza Vieira a propósito dos 500 anos do Foral da Maia.

Municípios da Lipor tiveram há 20 anos a “Arte de tomar decisões em contextos condicionados”

Na sua intervenção, o autarca recordou a afirmação de um dos maiores politólogos da atualidade, Daniel Innerarity, que define a política como “a Arte de tomar decisões em contextos condicionados”.

Precisamente num contexto em que os decisores políticos de há vinte anos se encontravam quando decidiram criar esta Central de Valorização Energética. Silva Tiago sublinhou que era um “contexto condicionado por adversidades de diversa ordem” e que foi preciso enfrentar muitas opiniões contrárias à implementação do projeto.

Por outro lado, “há 25 anos, os municípios que integravam a Lipor”, da qual a Maia é fundador, “tinham em mãos um sério problema. Um problema que clamava por uma maior disponibilidade para a cooperação intermunicipal. O município da Maia, pese embora as dificuldades que se adivinhavam e se confirmaram, enfrentou o desafio político e social, acolhendo no seu território esta Central, numa clara demonstração do seu sentido de partilha colaborativa para com os seus pares e, principalmente, num entendimento correto sobre a dimensão desse problema e das consequências que adviriam se não fosse encontrada uma solução”, lembrou ainda o presidente da autarquia maiata.

Assim, houve, à época, “um entendimento unânime e fruto de um posicionamento solidário e coeso no seio da Assembleia Intermunicipal e do Conselho de Administração da LIPOR, que nessa altura tiveram a dita de tomar esta opção”.

Silva Tiago constata que, passados 20 anos, “a LIPOR II é claramente um exemplo de excelência ao nível da eficiência operacional. Um exemplo do qual todos os municípios que a integram podem orgulhar-se, quer pela sua eficácia nos resultados, como ao nível da mitigação dos seus impactos ambientais”.

Não é por acaso que estas instalações são visitadas permanentemente por “delegações internacionais” que a veem como “um modelo a replicar noutras geografias por esse mundo fora”, tendo por isso adquirido “esse estatuto e reputação internacional, não apenas devido às boas práticas da sua metodologia de laboração, mas igualmente pela sua forma de se relacionar com a comunidade envolvente, chamando-a a acompanhar e verificar “in loco”, através da Comissão de acompanhamento, os seus processos de laboração”.

Perante um mundo que enfrenta graves alterações climáticas, Silva Tiago sublinhou que este projeto da Lipor “é porventura o modelo ideal, por ser inclusivo, solidariamente responsável, integralmente sustentável e justo”.

Principais dados de 20 anos de atividade da Central de Valorização Energética:

 
•       7.754.000 toneladas de resíduos valorizadas;
•       3725 GWh Energia Produzida (autoconsumo de 12,7%);
•       Energia para alimentar cerca de 150.000 habitantes (cerca de 60.000 habitações);
•       1,5 milhões de toneladas de CO2e evitadas;
•       111,25 mil toneladas de sucatas valorizadas;