“Centro Cívico da freguesia de Gemunde será inaugurado a 9 de Agosto”

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Eugénio Teixeira está disponível para ser candidato à junta de Gemunde; Construção de lar/creche será a grande prioridade do próximo mandato

Entrevista ao presidente da Junta de Freguesia de Gemunde, Eugénio Teixeira.

PRIMEIRA MÃO – Sucedeu a Joaquim Oliveira, falecido em Junho de 2006. Já o acompanhava desde 1982, fez parte da junta de freguesia e da Assembleia Municipal da Maia e para o mandato actual tinha sido eleito secretário do executivo. Foi escolhido para ocupar o lugar de presidente de junta. Quase três anos depois, que balanço é que faz desta experiência?

EUGÉNIO TEIXEIRA – Faço um balanço muito positivo, porque foi para mim uma boa experiência nestas novas funções e foi também uma forma de puder implementar no terreno algumas ideias que vinha tendo ao longo dos anos. Por isso, penso que o balanço é positivo.

Na altura que tomou posse, em Julho de 2006, disse que ia trabalhar para a concretização de um dos maiores sonhos do antigo presidente da junta, que era a conclusão do Centro Cívico da freguesia de Gemunde. Esse sonho vai ser uma realidade ainda neste mandato?

Exactamente. Posso até dar em primeira-mão que já há uma data para a inauguração, uma vez que já acertamos isso com o presidente da câmara. A inauguração vai ser a 9 de Agosto, que irá ser complementada com as festas da Nossa Senhora de Fátima da freguesia.

É uma obra onerosa para a câmara municipal e para o executivo da junta. Por quanto é que vai ficar este edifício?

Pelas contas orçadas na altura e que não sofreram grande agravamento, depois de concluída, a obra terá ficado na ordem de 1,5 milhões de euros. A câmara comparticipa em cerca de 70 por cento, os restantes 30 por cento ficarão a cargo da junta.

A junta de freguesia tem condições para suportar essa despesa?

Temos vindo a efectuar várias diligências no sentido de arranjar o dinheiro, como é óbvio, porque quem trabalha tem de receber. E nós temos obrigação de pagar, porque temos o trabalho feito. E nesse sentido, temos efectuado esforços para redução de custos de forma a conseguirmos dirigir alguns dos dinheiros para a obra.

Por diversas vezes já disse que é um edifício demasiado grande para as necessidades da junta. Como é que pretende dar aproveitamento aos espaços que não vão ser ocupados pelos serviços directamente ligados à junta de freguesia?

De facto, já referi que a junta, em termos dimensionais, é demasiado grande, mas não será grande em termos das valências que necessitamos. De facto, ela torna-se grande porque não temos dinheiro para suportar os custos inerentes à manutenção e ao trabalho necessário em todas as valências. Nós temos projectos efectuados, neste momento estou a fazer algumas projecções para arranjar parceiros para gerir a parte do centro de dia, se eventualmente for legalizado. Estou também a tentar arranjar parceiros no sentido de explorar algumas das divisões que temos, que poderá ser a nível de advogados, clínicas. Teremos de arranjar formas de rentabilizar os espaços de forma a conseguir dinheiro para a manutenção do edifício.

Quando foi projectado contemplava dois blocos, cada um com as suas valências. Como o projecto era demasiado caro, optaram por construir apenas um bloco.

Porque num dos blocos iria ficar o centro de dia…

Exactamente. Como ele teve de ser deslocado para o edifício que está em fase de conclusão, teve de se adaptar o edifício. Penso que o espaço em si não será o mesmo que estava previsto para o segundo bloco, mas tem as condições necessárias e estou a ver se é aprovado pela Segurança Social.

Penso que os centros de dia são um complemento necessário, onde as pessoas possam deixar os seus familiares mais idosos e irem trabalhar mais descansados.

Futuro

Estamos a oito meses das eleições autárquicas. Vai candidatar-se à Junta de Freguesia de Gemunde?

Penso que sim, porque iniciei um trabalho que, penso, ainda não conclui, que foi melhorar a qualidade de vida e as condições de habitabilidade das pessoas de Gemunde. Desde que eu entrei fizemos várias obras, penso que foi até dos mandatos em que mais obras se fizeram, sem estar a querer ‘puxar a brasa à minha sardinha’. Mas as pessoas apercebem-se disso. Desde que eu entrei, restauramos completamente a actual junta de freguesia, reiniciamos as obras de construção do centro cívico que estavam paradas por questões legais, tive inclusive que fazer pagamentos que estavam com um atraso de três anos, liquidei todas essas facturas aos fornecedores, consegui efectuar os pagamentos, até ao momento, com os empreiteiros. Portanto, a junta de freguesia e a câmara municipal têm as contas do edifício quase regularizadas. Efectuei também muitas obras de restauro no cemitério. Sei que é um local sobre o qual, por vezes, as pessoas não se sentem bem em falar, mas construí cerca de 60 jazigos, porque é também nessa construção que vamos buscar verbas para o que é necessário. Como o fundo de financiamento da freguesia é pouco, temos de arranjar meios para angariar dinheiro.

Nesse sentido, procurei dinamizar a construção de jazigos e aproveitei também para dar uma nova imagem à parte mais antiga do cemitério. Construi também 48 ossários, porque o nosso cemitério não tinha. Fizemos intervenções em vários arruamentos, colocamos iluminação pública em vários locais, aumentamos a potência da iluminação em vários locais da freguesia, para melhorar a segurança. Temos vindo também a efectuar protocolos com várias entidades no sentido de angariar bens para questões sociais, temos um gabinete de atendimento de psicologia e atendimento social a funcionar na junta de freguesia, com o apoio da câmara municipal. Acho que temos feito um bom trabalho. Ficam por fazer pequenas coisas que eu penso terminar até ao final deste mandato.

Mas então, o que é que o motiva a avançar com uma candidatura?

Talvez a construção de um lar de idosos, juntamente com uma creche/berçário. Neste momento, está a decorrer a nível nacional o Programa Operacional de Potencial Humano. Já marquei uma reunião com uma entidade privada no sentido de analisarmos o terreno que temos disponível para efectuar essa candidatura. O lar poderá ficar precisamente no espaço que não vai ser ocupado pelo segundo edifício que estava projectado para a junta de freguesia. Neste momento, a nível da freguesia e do concelho tenho-me apercebido que há uma carência de lares de idosos. Inclusive temos na freguesia pessoas que estão para os lados de Caminha e Viana.

Falando ainda da população mais idosa, a junta de freguesia tem levado a cabo alguns projectos, como por exemplo, pequenas obras em casa e passeios de convívio.

Sempre que detectamos situações de necessidade premente nas habitações de pessoas com muita carência, nós intervimos. Mesmo em questões de pessoas deficientes, que têm dificuldades de acesso às suas habitações. Desde que eu entrei realizamos também os habituais passeios anuais e complementei com um jantar de Natal, em que este ano teve cerca de 200 idosos na Quinta do Geraldino. Penso que é dessa coisas que a terceira idade necessita. Distracção, acompanhamento, carinho, e acima de tudo, sentir calor humano. Saberem que não estão a ser desprezados.

Recentemente, através de uma parceira com a empresa Ancor, foi distribuído material escolas pelos jardins-de-infância e escolas do 1º ciclo. Na altura, adiantou ainda que está a ser estudada uma parceria com farmácias da freguesia. Em que é que vai consistir essa parceria?

Estou a elaborar um protocolo com a Farmácia de Gemunde, em que todos os eleitores da freguesia vão ter um desconto na facturação dos medicamentos. Estamos ainda a acertar o valor do desconto, mais os eleitores vão ter um desconto acentuado na aquisição de medicamentos. Será apenas para os eleitores da freguesia, como forma de incentivarmos o recenseamento na freguesia.

Assim, como tenho um outro projecto que tem a ver com a tomada da vacina contra a gripe. Já falei com a responsável da farmácia no sentido de fornecermos gratuitamente essa vacina a uma grande parte da população idosa. Os custos irão ser suportados pela junta de freguesia.

Já manifestou a vontade de se candidatar às eleições autárquicas, pelo PSD. O partido já manifestou o apoio à sua candidatura?

Já tivemos algumas conversas sobre isso. Penso que o partido, directamente, ainda não disse quem são os seus candidatos, provavelmente estará à espera da melhor oportunidade para o fazer. Mas pelas conversas que eu tenho tido, não só com o anterior líder da concelhia mas com o actual líder, Bragança Fernandes, penso que ele vai recandidatar todos os seus elementos que estão nas juntas de freguesia.

E pretende incluir na sua lista a equipa que o acompanha actualmente na junta de freguesia ou vai mudar alguma coisa?

Terei de mudar, não só pela nova legislação que vai obrigar a que um terço da lista seja constituído por mulheres, mas também porque a lista que esteve nas últimas eleições carece de alguma qualidade em termos de conhecimento das autarquias e do serviço autárquico.

O lar e creche vai ser a sua grande prioridade do próximo mandato, caso seja eleito?

Sim, eu gostaria de ver na freguesia de Gemunde um edifício que agregasse pessoas de idade, os chamados avós e os netos. Num único espaço, concretizar isso, seria espectacular. Não é fácil, porque o dinheiro das juntas de freguesia é muito reduzido.

Nós temos para 2009 do fundo do Estado, 59 mil euros. Só para pagar os ordenados dos quatro funcionários que temos a tempo inteiro e todas as obrigações legais, como a segurança social, seguros, IRS, esse valor vai quase na totalidade para o pagamento das despesas com os funcionários. Depois temos da câmara municipal, e este ano o presidente entendeu e muito bem, aumentar em 10 por cento o valor para as juntas de freguesia. Estamos a receber mensalmente quatro mil e 400 euros da câmara municipal, o que é uma grande ajuda e permite a concretização de alguns trabalhos.

É evidente que para a concretização do lar, teríamos de contar com uma parceria com a da câmara municipal, apesar do Estado financiar uma grande percentagem ao abrigo do programa.

Fernanda Alves