Clube dos Pensadores e a república

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Manuel Alegre já está confirmado para Setembro mas já há dois nomes na calha, embora ainda a necessitar de confirmação. Pedro Passos Coelho e Mário Soares poderão ser os próximos nomes a “frequentar” o Clube dos Pensadores. O candidato presidencial já é um dado adquirido, e o fundador do clube, Joaquim Jorge, adianta que os dois últimos “estão em boas negociações e tudo se desenrola para que estejam no clube” em próximas reuniões.

São personalidades que marcam a actual “jornada” de debates, depois de Fernando Nobre no passado mês, também candidato à presidência da república. Estes nomes correm para a liderança máxima da nação, a ser escrutinada já no próximo ano, que já foi ocupada por um dos possíveis participantes nos debates do Clube dos Pensadores. “É o pai da democracia, é um homem que tem uma dimensão cultural e de cidadania que eu acho ímpar”, diz Joaquim Jorge, em alusão a Mário Soares. Mas nem só de candidatos à presidência vai “viver” o clube. “Pelo meio, vou tentar fazer um debate que acho importante sobre o papel do Norte, a regionalização, partidos que estão a surgir”, revela Joaquim Jorge.
Quanto ao passado, houve um convidado que se pode considerar um desvio à “norma”: Pedro Abrunhosa. “Eu não gosto só de política então convidei-o, porque é uma pessoa insubmissa e rebelde, tenho muito a ver com ele, ele diz o que pensa”. Frontalidade e também alguma intimidade são duas palavras que podem definir o Clube dos Pensadores, onde os convidados “se expõem” a todo o género de perguntas que possam surgir, até mesmo umas mais atrevidas, explica Joaquim Jorge. Mas isso não é um revés no debate. Pelo contrário. “Acho que é importante porque aproxima as pessoas dos cidadãos. Muitas vezes esta gente [os convidados] nunca ouve a verdade, nunca ouve o que os cidadãos têm para dizer”. Há uma quebra do protocolo estabelecido, um “golpe” no sistema. “É só assessores, gente a evitar que se fale com as altas figuras. Ali não, as pessoas estão por nossa conta”. Como não há bela sem senão, Joaquim Jorge lembra que “há pessoas que aproveitam logo essas situações para meter cunhas e obter favores. Apercebo-me disso e fico doido com isso”. Porque os convidados, afinal, devem ser tratados como “mais uma pessoa”, acrescenta Joaquim Jorge.

“O sistema não funciona”

À margem das reuniões do Clube dos Pensadores, Joaquim Jorge desabafa: “Eu acho que não devia ser preciso este tipo de coisas”, aludindo ao assédio às figuras públicas para a obtenção de favores. Joaquim Jorge dá o exemplo da Suécia: “Você se sair do parlamento sueco, no café que está em frente, pode lá estar com deputados e membros do governo, muito naturalmente. Isso é impensável em Portugal porque há logo um assédio para pedir isto e aquilo, porque o sistema não funciona normalmente, porque os processos não seguem”, considera Joaquim Jorge. “As pessoas deviam ter a possibilidade de ver que as coisas funcionam, que não é preciso favores, amiguismos, chico-espertismo”, remata.

Pedro Póvoas