"Consegui que a JP tivesse vida para além do seu presidente"

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Em dois mandatos, Eric Rodrigues transformou a JP da Maia num exemplo dentro da estrutura jovem do CDS/PP. Cumprida a missão, parte para outras tarefas

Primeira Mão – Porquê ao abandono da Juventude Popular da Maia a dois meses e meio das eleições?

Eric Rodrigues – Não foi bem um abandono, mas sim um abrir de portas para que outras pessoas possam aparecer. A minha filosofia, enquanto presidente da JP Maia, nunca foi perpetuar o poder durante um tempo exagerado. Eu sempre pensei que cada pessoa tem o seu tempo e oportunidade na estrutura para poder liderar. No entanto, tudo tem um início e um fim. Há cerca de um mês não punha a hipótese de deixar a liderança da estrutura. Fui eleito para a Comissão Nacional da JP, nomeado coordenador do gabinete de comunicação da JP nacional e convidado pelo doutor Ribeiro e Castro para a direcção da campanha dele. Então, entendi que, num altura tão sensível e importante como vai ser o mês de Setembro, e início de Outubro, para a estrutura da JP Maia, e tendo eu a consciência que não vou poder estar a 100 por cento dedicado unicamente à questão autárquica, seria um acto sensato da minha parte abrir o caminho para que outra pessoa pudesse assumir esse encargo de uma forma muito mais presente. É um facto que a minha liderança foi curta, fiz dois mandatos, e não é muito comum numa estrutura juvenil um presidente só fazer dois mandatos, aqui na Maia não é muito comum. Esse facto tem a ver com a falta de opções, ou seja, não há grandes alternativas. Existe o presidente, e depois há um conjunto de militantes que precisam de tempo para ganhar ‘bagagem’ e chegar à presidência. No entanto, a JP tem elementos de enorme qualidade e talento nas suas fileiras. Essa é uma das vitórias do meu mandato, conseguir que a JP tivesse vida para além do seu presidente, e quando se tem a consciência que a estrutura consegue sobreviver sem mim, entendo que se deve dar oportunidade para que surjam outras figuras que possam inclusivamente no futuro desempenhar cargos nacionais da JP devido ao seu trabalho na concelhia.

Uma saída a dois meses e meio das eleições autárquicas, que é o grande palco e necessidade das juventudes partidárias, não é um pouco estranho?

Não. Eu não concordo que as eleições autárquicas sejam o grande palco da estrutura de uma juventude partidária. Isso é uma ideia que infelizmente está enraizada nas Juventudes Partidárias do concelho. A JP considera que os quatro anos antes das eleições é que são o grande palco e realizou um belíssimo trabalho durante esses anos. Por isso, não creio que seja necessário eu assumir a presidência da concelhia para que a JP consiga dar o apoio ao partido neste momento.

É preciso entender que a JP não é só a figura do presidente e terá certamente candidatos nas listas para as Juntas de Freguesia.

No que lhe diz respeito, agora parte para objectivo nacionais?

Nunca pontuei a minha actividade política pela busca do cargo. Quando entrei para a Juventude Popular nunca imaginei que ia ser presidente concelhio, depois nunca pensei em ser vogal da Comissão Política Nacional ou entrar para a distrital. Tudo isto acontece quando as pessoas trabalham libertas de qualquer objectivo pessoal. Penso que o trabalho realizado na concelhia da Maia foi bem feito mas não devo fugir às minhas obrigações como membro da Comissão Política Nacional, a quem darei exclusividade, tal como à Comissão Política Distrital e, por isso, não digo que tenho um objectivo nacional, mas sim de ajuda à JP e ao partido.

E a Maia?

Não vou desaparecer da Maia. Sou secretário-geral do partido, militante da JP Maia, será aqui que vou votar sempre. É inegável que sentirei sempre a concelhia como algo muito especial, não deixarei de me preocupar com ela, mas com o devido afastamento para permitir ao próximo presidente fazer o mandato sem qualquer tipo de ligação ou elo de comparação com o passado.

Acredita num bom resultado do CDS nas eleições de Outubro?

Sim. Acredito que temos um bom candidato, quer as coisas estão a ser muito bem feitas. Confesso que no início, quando se confirmou que a coligação com o PSD não iria continuar, fiquei receoso sobre o que seria a reacção das bases do partido, se elas ainda existiam e se o partido tinha condições para fazer listas próprias. No entanto, o partido tem muita tradição na Maia, e o que parecia difícil tornou-se fácil. As bases conseguiram gerir os processos das suas Juntas. Temos quase dois terços das Juntas de Freguesia já em conclusão, temos um belíssimo candidato à Câmara, e aguardaremos por um candidato à Assembleia Municipal. Penso que o CDS tem todas as condições para conseguir eleger no mínimo um vereador e aumentar a bancada na Assembleia Municipal. E depois, em 2013, através do trabalho de vereação e na assembleia, penso que conseguiremos um resultado verdadeiramente brilhante.

A coligação esteve em cima da mesa durante muito tempo e os dois partidos chegaram à conclusão de que não havia condições para a celebrar. Para o CDS isso foi positivo ou negativo?

Do meu ponto de vista, não haver coligação foi muito positivo. Penso que nesta última coligação, muito devido ao facto do CDS não ter tido nenhum vereador por causa da desfiliação de Mário Nuno Neves, o CDS teve pouco poder de decisão e acção.

Ficou desapontado quando Mário Nuno Neves abandonou o CDS?

Fiquei, mesmo pela questão pessoal. Penso que Mário, Nuno Neves foi uma pessoa muito importante para a Juventude Centrista, dentro da JP ainda goza de um certo estatuto, foi líder da distrital do CDS do Porto. Para nós foi uma surpresa muito desagradável e não entendo os motivos, mas o partido vive para além de Mário Nuno Neves e com eleição de Álvaro Braga Júnior como vereador, o CDS poderá ter um papel decisivo.

E quanto a si, um dia destes será candidato à Câmara da Maia?

Não sei. É preciso ver que ainda sou muito novo, tenho 24 anos. Sou e serei sempre um incurável militante do CDS, não tenho como objectivo ser candidato a nada, nem sequer fui convidado para nada. A única coisa para que fui convidado foi para ser mandatário da candidatura à Junta de Freguesia de Gueifães, que já aceitei. Quanto a ser candidato à Câmara ou Assembleia Municipal, há muito tempo para o ser no futuro.

Perfil

É arquitecto. Concluiu, há dois anos, a licenciatura, com 17 valores. Tem num homem da esquerda, Álvaro Siza Vieira, uma das suas referências no universo da arquitectura. Acima de tudo porque “consegue surpreender em cada obra que faz”. “Tem um toque de génio completamente diferente e eu admiro isso na arquitectura”, salienta.

Afirma que “uma grande obra de arquitectura tanto pode ser uma pequena galeria de arte como um grande edifício público, ou a remodelação de um espaço interior”. Diz-se um adepto da arquitectura ligada à terra, ao local onde se insere, que consiga fundir-se com a paisagem e tem nas termas de Vals, na Suíça, do arquitecto Peter Zumthor, a sua obra de referência.