“Consideramos que a coligação foi mais de marketing e propaganda do que de trabalho”

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A coordenadora concelhia da JS aponta o emprego e a habitação como principais preocupações dos jovens

Ana Leite promete manter-se neutra nas eleições para a concelhia do PS

Foi eleita numa lista única, isso quer dizer que na Juventude Socialista há mesmo um clima de união e unanimidade?

É verdade. A Juventude Socialista desenvolveu nos últimos anos um trabalho bastante bom e isso também é muito baseado na nossa união. Somos uma estrutura muito unida e prova disso o facto de ter sido apresentada uma lista única e, ainda nessa linha, o nosso lema de candidatura “Juntos somos o Futuro”, também para reforçar essa união e acreditamos que o nosso sucesso nestes últimos dois anos está relacionado com isso e queremos manter e elevar a qualidade da JS.

Quais são as prioridades da JS para este mandato de dois anos? Será certamente um mandato mais calmo, uma vez que não há actos eleitorais.

É obviamente um mandato mais calmo. As nossas prioridades assentam em quatro objectivos, num trabalho para preparar o futuro. O primeiro é organizar a estruturar a JS. Este objectivo está mais relacionado com a nossa organização interna. Pretendemos criar gabinetes temáticos e promover mais a delegação de tarefas e acreditamos que essa organização interna vai ser fundamental para uma melhor intervenção e actuação no exterior. Os gabinetes ainda não definimos bem as denominações de cada um mas serão à base de quatro / cinco gabinetes e acreditamos que vão ser fundamentais para uma melhor actuação. Um segundo objectivo é dialogar, reflectir e intervir no exterior e está mais relacionado com o trabalho que queremos desenvolver no terreno. Passa por uma maior proximidade com a sociedade civil, com as associações mais ligadas à juventude, quer associações juvenis de índole cultural, desportiva, mas também as associações de estudantes e as associações de solidariedade social que mesmo não sendo dirigidas por jovens têm uma actuação direccionada para a juventude, como a Socialis, por exemplo, que tem um grande trabalho ligado à juventude. Pretendemos continuar com esse trabalho feito pela liderança anterior, mas também pretendemos ter uma maior presença nas associações juvenis e nas associações de estudantes. Para além disso, pretendemos também esta em articulação com os núcleos, desenvolvendo actividades e visitas às freguesias, mas será todo um trabalho que estará articulado com os núcleos de residência que temos, que são dois neste momento, o Vale do Leça e o Maia Centro / Leste. Para além das visitas, vamos realizar também debates e tertúlias mais informais, em locais mais atractivos para a juventude, com o objectivo de reflectir todo o trabalho que realizamos mas também focando temas que nos interessam. O terceiro objectivo é o de mobilizar, formar e motivar a juventude. Acreditamos que as juventudes partidárias e em particular a JS, têm um espaço de intervenção e actuação próprio na sociedade e que vai muito para além da actividade política. E como nós somos jovens e gostamos de fazer outras coisas, uma das actividades, nos próximos dois anos, é realizar, outras iniciativas que aliem política e lazer. Por fim, queremos reforçar as relações institucionais. É um objectivo que passa por manter um contacto de proximidade e articulação da JS com os núcleos e também com as outras estruturas a nível distrital e nacional. A JS Maia é uma estrutura muito reconhecida a nível nacional até pela nossa capacidade de mobilidade e queremos continuar com ligação a actividades distritais e nacionais. A nível do PS, queremos também manter ligações e trabalhar em articulação com o PS Maia nas actividades que desenvolver.

Em termos de núcleos, o concelho tem uma cobertura, ou passa pelos objectivos da concelhia aumentar o número de núcleos?

Neste momento, só podemos ter mesmo dois núcleos, o Vale do Leça que agrupa as freguesias de Águas Santas, Pedrouços, Gueifães e Milheirós, e o Maia Centro / Leste que no anterior mandato agrupava apenas seis freguesias, apenas as mais centro e as de leste, apesar de ficar com a mesma designação, agora vai abranger as restantes freguesias. Assim, tem 13 freguesias a seu cargo.

Não seria mais vantajoso descentralizar? Desta forma, o núcleo Maia Centro / Leste com 13 freguesia é quase uma segunda concelhia.

É verdade mas, neste momento, vai ficar assim até porque são ordens da sede nacional, que não tem grande interesse em abrir mais núcleos. Mas eu sou da opinião que núcleos mais locais desenvolvem sempre uma melhor intervenção nessas freguesias. Claro que o núcleo Maia Centro / Leste tem uma tarefa mais complicada mas, neste momento, o que vamos fazer para colmatar esse problema é ter uma maior intervenção nas freguesias do Castelo e de Pedras Rubras.

Como é que define as relações com as estruturas partidárias da Maia?

A JS é a organização de juventude do Partido Socialista e consideramos que o nosso papel é obviamente apoiar o PS. Claro que somos uma estrutura autónoma e temos as nossas opiniões, que definimos em conjunto mas acreditamos que esse é o nosso grande papel, apoiar o PS, nos bons e nos maus momentos, e por isso, as nossas relações são sempre baseadas nisso. O PS é o nosso partido e devemos colaborar e as nossas relações têm sido nesse sentido, de colaboração.

Começamos a conversa falando do espírito de união da JS, ao que tudo indica isso não é o que acontece no PS Maia, a avaliar pelos casos que se sucederam durante a pré-campanha eleitoral. Partilha desta leitura?

Não gostaria muito de falar sobre questões internas publicamente. Todos os partidos têm os seus problemas internos e o nosso também tem alguns, que são conhecidos. Acredito que são problemas que se resolvem e que podem ser resolvidos nos próximos tempos.

Tem esperança que isso aconteça nas próximas eleições concelhias?

Enquanto coordenadora da JS não me vou querer envolver muito nessas eleições internas. Não vou apoiar nenhum candidato publicamente, mas obviamente também sou militante do PS e terei a minha opinião, mas vou guardar para mim. Não vou sequer envolver-me nas eleições.

O preâmbulo da moção refere que “a JS teme que o PSD continue com uma política acomodada e pouco ambiciosa que caracterizou o último mandato”. Esta não é a análise que se faz, partindo dos resultados eleitorais.

Claro que nós temos a nossa opinião e eu considero, fazendo uma leitura responsável, e essa é uma postura que a JS vai tentar sempre utilizar nas suas intervenções. O nosso concelho desenvolveu-se, a par do que aconteceu com outros concelhos da Área Metropolitana do Porto. No entanto, nos últimos quatro anos consideramos que a coligação foi meramente marketing e propaganda do que trabalho. Muito disso se verifica nas promessas eleitorais que não foram cumpridas. O bairro do Sobreiro é um bom exemplo disso. Quando digo que foi pouco ambiciosa vai no sentido de considerar que apesar de se mostrar com propaganda, considero que isso não corresponde totalmente à verdade. Enquanto maiata, desejo um concelho com maior qualidade de vida.

Tendo em conta os quatro anos do vereador da juventude, que se mantém no cargo, que balanço é que faz das actividades do pelouro?

Considero que existem algumas actividades para os jovens, como os festivais e a feira das oportunidades, entre outras. Mas considero que apesar de muitas políticas que se possam desenvolver dependerem muito do Governo, penso que as câmaras municipais podem contribuir muito para isso, criando, por exemplo, uma bolsa de emprego e criando melhores condições para os jovens poderem arrendar apartamento. Apesar de algumas actividades positivas, os festivais não devem ser excluídos porque os jovens gostam disso, mas consideramos que devem existir actividades, medidas, políticas que possam colmatar os principais problemas dos jovens. Somos uma geração que passa pelo problema do desemprego, de habitação e consideramos que o pelouro da Juventude e as câmaras municipais podem desenvolver políticas mais locais para colmatar esses problemas na área do emprego e na área da habitação.

É um recado que quer deixar ao vereador da Juventude?

O recado que eu posso deixar é que desejo sucesso e sorte para este mandato e acho que deve incidir o seu trabalho nas áreas da habitação e do emprego, que são importantíssimas e pode na mesma manter as outras que já estão a ser trabalhadas.

Isabel Fernandes Moreira